Jogadores Anônimos – você não precisa enfrentar isso sozinho
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Os grupos de apoio, como Jogadores Anônimos, são uma ferramenta importante no tratamento da ludopatia, oferecendo acolhimento e identificação entre os participantes.
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Hoje, além dos encontros presenciais espalhados pelo Brasil, existem grupos online com reuniões em diversos horários, facilitando o acesso.
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Esses espaços também contam com reuniões para familiares, ajudando a construir uma rede de apoio mais consciente e estruturada.
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A participação em grupos não substitui a psicoterapia, mas pode enriquecer o tratamento e fortalecer o compromisso com a recuperação.
Grupos de apoio e ludopatia: por que você não precisa enfrentar isso sozinho
Tempo estimado de leitura: 7 minutos
Uma das características mais marcantes do transtorno do jogo é o isolamento. A pessoa joga escondido, perde em silêncio, tenta recuperar sem contar a ninguém e, muitas vezes, carrega uma sensação intensa de vergonha.
Esse isolamento pode fazer com que o problema pareça ainda maior — como se fosse algo único, pessoal e difícil de ser compreendido por outras pessoas. É nesse ponto que os grupos de apoio se tornam um recurso extremamente valioso.
Participar de um grupo como o Jogadores Anônimos pode ser um primeiro passo importante para quebrar esse isolamento e perceber algo fundamental: você não está sozinho.
O que são os grupos de apoio?
Os grupos de apoio são espaços onde pessoas que enfrentam o mesmo tipo de dificuldade se reúnem para compartilhar experiências, desafios e estratégias de enfrentamento. No caso da ludopatia, os grupos de Jogadores Anônimos seguem um modelo inspirado nos 12 passos, com foco em acolhimento, responsabilidade e recuperação.
Não se trata de julgamento, nem de exposição forçada. Cada participante fala se quiser, no seu tempo. O mais importante é o ambiente: um espaço seguro, onde as pessoas se reconhecem umas nas outras.
O grupo oferece algo que muitas vezes falta fora dele: escuta sem julgamento e identificação real.
Presencial ou online: hoje o acesso é muito maior
Uma das grandes vantagens atuais é que o acesso aos grupos ficou muito mais fácil. Existem reuniões presenciais espalhadas por diversas cidades do Brasil. Uma busca simples no Google por “Jogadores Anônimos + sua cidade” já pode indicar opções próximas.
Além disso, os grupos online têm crescido de forma significativa. Hoje é possível encontrar reuniões em diferentes horários ao longo do dia,m inclusive à noite e aos finais de semana.
Isso facilita muito o acesso, especialmente para quem:
- tem dificuldade de deslocamento;
- prefere mais anonimato no início;
- possui rotina de trabalho variável;
- está começando a reconhecer o problema.
Outro ponto importante é que muitos desses espaços também oferecem grupos para familiares, o que pode ser extremamente útil. Famílias que participam desses encontros tendem a compreender melhor o transtorno e a construir formas mais saudáveis de apoio.
O que a ciência diz sobre grupos de apoio?
Embora os grupos de apoio não sejam, por si só, uma intervenção clínica estruturada como a psicoterapia, estudos indicam que eles podem desempenhar um papel importante no tratamento do transtorno do jogo.
Pesquisas como a de Petry (2005) mostram que a participação em programas como Jogadores Anônimos pode contribuir para a redução do comportamento de jogo, especialmente quando combinada com tratamento psicológico.
Outros estudos apontam que fatores como suporte social, identificação com o grupo e compromisso com a abstinência podem aumentar a adesão ao tratamento e reduzir recaídas.
Em termos simples: o grupo não substitui a psicoterapia, mas pode potencializar seus efeitos.
Por que o grupo funciona?
Existem alguns elementos que fazem dos grupos de apoio uma ferramenta tão potente:
- Identificação: ouvir histórias semelhantes reduz o sentimento de isolamento;
- Compromisso: a presença regular cria uma rotina de cuidado;
- Responsabilidade: o grupo ajuda a manter o foco na recuperação;
- Rede de apoio: possibilidade de contato com outras pessoas em momentos difíceis;
- Estrutura: encontros organizados, com regras e propósito claro;
- Acolhimento: sem julgamento, sem exposição obrigatória.
Um ponto muito importante é a figura do padrinho ou madrinha dentro do grupo. Trata-se de alguém com mais tempo de recuperação, que pode oferecer suporte mais próximo, especialmente em momentos de maior vulnerabilidade.
O grupo não substitui o tratamento
É importante deixar claro: os grupos de apoio não substituem a psicoterapia. Eles são um complemento. Enquanto o grupo oferece identificação e suporte, a psicoterapia trabalha aspectos mais profundos, como impulsividade, emoções, história de vida, padrões de comportamento e prevenção de recaídas.
Quando esses dois caminhos caminham juntos — grupo e psicoterapia — o tratamento tende a ganhar mais consistência.
O grupo acolhe. A psicoterapia aprofunda. E juntos, ajudam a sustentar a mudança.
Um convite importante
Se você está enfrentando dificuldades com apostas, ou se alguém próximo está passando por isso, considere conhecer um grupo de apoio. Não é necessário “estar no fundo do poço” para participar. Muitas vezes, quanto mais cedo esse contato acontece, maiores são as chances de reorganização.
Uma simples busca no Google pode ser o primeiro passo. E, se for mais confortável, os grupos online estão disponíveis em diferentes horários, inclusive aos finais de semana.
Você não precisa passar por isso sozinho.
Considerações finais
Na prática clínica, a participação em grupos de apoio costuma trazer ganhos importantes para o tratamento. É possível perceber, em muitos pacientes, uma maior adesão ao processo, um senso mais claro de compromisso e uma diminuição da sensação de isolamento.
Algo que aparece com frequência é a frase: “não é só comigo”. Esse reconhecimento, por si só, já tem um efeito significativo. A pessoa deixa de se enxergar como alguém “fora do normal” ou “sem caráter” e passa a compreender o transtorno como algo que pode ser tratado.
Outro ponto relevante é o contato com experiências reais trazidas nas reuniões. Esses relatos muitas vezes chegam à psicoterapia e enriquecem o processo, tornando o trabalho mais concreto e conectado com o dia a dia do paciente.
A presença de um padrinho ou madrinha, a possibilidade de conversar em momentos críticos e a participação da família em grupos específicos também fortalecem a rede de apoio.
Quando o grupo, a psicoterapia e, quando necessário, o acompanhamento médico caminham juntos, o tratamento tende a ganhar mais consistência e segurança.
Buscar ajuda não é sinal de fraqueza. É um passo importante em direção à recuperação.
Leia também: O Vício em Apostas Online: Como Buscar Ajuda?
💬 Uma mensagem importante:
Se você está lendo este artigo e se reconheceu em alguns pontos, considere participar de uma reunião de grupo de apoio ainda esta semana. Não é necessário esperar o “momento certo”. O primeiro passo pode ser apenas entrar e ouvir.
Links úteis e rede de apoio
- Jogadores Anônimos Brasil
https://jogadoresanonimos.com.br/ - Jogadores Anônimos — Reuniões presenciais
https://jogadoresanonimos.com.br/g-reunioes-presenciais/ - Jogadores Anônimos Online
https://www.grupojaonline.com.br/ - Gambling Therapy — Brazil
https://gamblingtherapy.org/?location=brazil
Sobre o autor
Leonardo Fd Araujo – Doctoralia.com.br
Leonardo Fd Araujo
Psicólogo em Curitiba CRP 08/10907
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Fontes
PETRY, Nancy M. Pathological Gambling: Etiology, Comorbidity and Treatment. American Psychological Association, 2005.
COWLISHAW, Sean et al. Psychological therapies for pathological and problem gambling. Cochrane Database, 2012.



