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Jogadores Anônimos – você não precisa enfrentar isso sozinho

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  • Os grupos de apoio, como Jogadores Anônimos, são uma ferramenta importante no tratamento da ludopatia, oferecendo acolhimento e identificação entre os participantes.

  • Hoje, além dos encontros presenciais espalhados pelo Brasil, existem grupos online com reuniões em diversos horários, facilitando o acesso.

  • Esses espaços também contam com reuniões para familiares, ajudando a construir uma rede de apoio mais consciente e estruturada.

  • A participação em grupos não substitui a psicoterapia, mas pode enriquecer o tratamento e fortalecer o compromisso com a recuperação.

Grupos de apoio e ludopatia: por que você não precisa enfrentar isso sozinho

Tempo estimado de leitura: 7 minutos

Uma das características mais marcantes do transtorno do jogo é o isolamento. A pessoa joga escondido, perde em silêncio, tenta recuperar sem contar a ninguém e, muitas vezes, carrega uma sensação intensa de vergonha.

Esse isolamento pode fazer com que o problema pareça ainda maior — como se fosse algo único, pessoal e difícil de ser compreendido por outras pessoas. É nesse ponto que os grupos de apoio se tornam um recurso extremamente valioso.

Participar de um grupo como o Jogadores Anônimos pode ser um primeiro passo importante para quebrar esse isolamento e perceber algo fundamental: você não está sozinho.

O que são os grupos de apoio?

Os grupos de apoio são espaços onde pessoas que enfrentam o mesmo tipo de dificuldade se reúnem para compartilhar experiências, desafios e estratégias de enfrentamento. No caso da ludopatia, os grupos de Jogadores Anônimos seguem um modelo inspirado nos 12 passos, com foco em acolhimento, responsabilidade e recuperação.

Não se trata de julgamento, nem de exposição forçada. Cada participante fala se quiser, no seu tempo. O mais importante é o ambiente: um espaço seguro, onde as pessoas se reconhecem umas nas outras.

O grupo oferece algo que muitas vezes falta fora dele: escuta sem julgamento e identificação real.

Presencial ou online: hoje o acesso é muito maior

Uma das grandes vantagens atuais é que o acesso aos grupos ficou muito mais fácil. Existem reuniões presenciais espalhadas por diversas cidades do Brasil. Uma busca simples no Google por “Jogadores Anônimos + sua cidade” já pode indicar opções próximas.

Além disso, os grupos online têm crescido de forma significativa. Hoje é possível encontrar reuniões em diferentes horários ao longo do dia,m inclusive à noite e aos finais de semana.

Isso facilita muito o acesso, especialmente para quem:

  • tem dificuldade de deslocamento;
  • prefere mais anonimato no início;
  • possui rotina de trabalho variável;
  • está começando a reconhecer o problema.

Outro ponto importante é que muitos desses espaços também oferecem grupos para familiares, o que pode ser extremamente útil. Famílias que participam desses encontros tendem a compreender melhor o transtorno e a construir formas mais saudáveis de apoio.

 

O que a ciência diz sobre grupos de apoio?

Embora os grupos de apoio não sejam, por si só, uma intervenção clínica estruturada como a psicoterapia, estudos indicam que eles podem desempenhar um papel importante no tratamento do transtorno do jogo.

Pesquisas como a de Petry (2005) mostram que a participação em programas como Jogadores Anônimos pode contribuir para a redução do comportamento de jogo, especialmente quando combinada com tratamento psicológico.

Outros estudos apontam que fatores como suporte social, identificação com o grupo e compromisso com a abstinência podem aumentar a adesão ao tratamento e reduzir recaídas.

Em termos simples: o grupo não substitui a psicoterapia, mas pode potencializar seus efeitos.

Por que o grupo funciona?

Existem alguns elementos que fazem dos grupos de apoio uma ferramenta tão potente:

  • Identificação: ouvir histórias semelhantes reduz o sentimento de isolamento;
  • Compromisso: a presença regular cria uma rotina de cuidado;
  • Responsabilidade: o grupo ajuda a manter o foco na recuperação;
  • Rede de apoio: possibilidade de contato com outras pessoas em momentos difíceis;
  • Estrutura: encontros organizados, com regras e propósito claro;
  • Acolhimento: sem julgamento, sem exposição obrigatória.

Um ponto muito importante é a figura do padrinho ou madrinha dentro do grupo. Trata-se de alguém com mais tempo de recuperação, que pode oferecer suporte mais próximo, especialmente em momentos de maior vulnerabilidade.

O grupo não substitui o tratamento

É importante deixar claro: os grupos de apoio não substituem a psicoterapia. Eles são um complemento. Enquanto o grupo oferece identificação e suporte, a psicoterapia trabalha aspectos mais profundos, como impulsividade, emoções, história de vida, padrões de comportamento e prevenção de recaídas.

Quando esses dois caminhos caminham juntos — grupo e psicoterapia — o tratamento tende a ganhar mais consistência.

O grupo acolhe. A psicoterapia aprofunda. E juntos, ajudam a sustentar a mudança.

Um convite importante

Se você está enfrentando dificuldades com apostas, ou se alguém próximo está passando por isso, considere conhecer um grupo de apoio. Não é necessário “estar no fundo do poço” para participar. Muitas vezes, quanto mais cedo esse contato acontece, maiores são as chances de reorganização.

Uma simples busca no Google pode ser o primeiro passo. E, se for mais confortável, os grupos online estão disponíveis em diferentes horários, inclusive aos finais de semana.

Você não precisa passar por isso sozinho.

Considerações finais

Na prática clínica, a participação em grupos de apoio costuma trazer ganhos importantes para o tratamento. É possível perceber, em muitos pacientes, uma maior adesão ao processo, um senso mais claro de compromisso e uma diminuição da sensação de isolamento.

Algo que aparece com frequência é a frase: “não é só comigo”. Esse reconhecimento, por si só, já tem um efeito significativo. A pessoa deixa de se enxergar como alguém “fora do normal” ou “sem caráter” e passa a compreender o transtorno como algo que pode ser tratado.

Outro ponto relevante é o contato com experiências reais trazidas nas reuniões. Esses relatos muitas vezes chegam à psicoterapia e enriquecem o processo, tornando o trabalho mais concreto e conectado com o dia a dia do paciente.

A presença de um padrinho ou madrinha, a possibilidade de conversar em momentos críticos e a participação da família em grupos específicos também fortalecem a rede de apoio.

Quando o grupo, a psicoterapia e, quando necessário, o acompanhamento médico caminham juntos, o tratamento tende a ganhar mais consistência e segurança.

Buscar ajuda não é sinal de fraqueza. É um passo importante em direção à recuperação.

Leia também: O Vício em Apostas Online: Como Buscar Ajuda?

💬 Uma mensagem importante:

Se você está lendo este artigo e se reconheceu em alguns pontos, considere participar de uma reunião de grupo de apoio ainda esta semana. Não é necessário esperar o “momento certo”. O primeiro passo pode ser apenas entrar e ouvir.

Links úteis e rede de apoio

Sobre o autor

Leonardo Fd Araujo – Doctoralia.com.br

Leonardo Fd Araujo
Psicólogo em Curitiba CRP 08/10907
Terapia | Terapia Online | Palestras

Atendimento em casos de Ludopatia
Avaliação Psicológica para Vasectomia
psicologoemcuritiba.com.br
41 9.9643-9560
Atendimento presencial e online
Bigorrilho, Curitiba – PR

Fontes

PETRY, Nancy M. Pathological Gambling: Etiology, Comorbidity and Treatment. American Psychological Association, 2005.

COWLISHAW, Sean et al. Psychological therapies for pathological and problem gambling. Cochrane Database, 2012.

Descobri que meu familiar joga escondido: o que fazer

A vergonha de quem joga: o segredo por trás da ludopatia

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  • A vergonha é uma das emoções mais presentes na ludopatia e pode manter o problema escondido por meses ou anos.

  • Muitas pessoas que jogam escondido não sofrem apenas pelas perdas financeiras, mas também pelo medo de decepcionar a família.

  • O segredo pode parecer uma tentativa de proteger a família, mas geralmente aumenta dívidas, mentiras e sofrimento emocional.

  • Falar sobre o problema, buscar psicoterapia e envolver a família com orientação adequada pode ser um passo decisivo no tratamento.

A vergonha de quem joga: o segredo por trás da ludopatia

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

Quem olha de fora costuma enxergar apenas a dívida, a mentira, o cartão estourado, o empréstimo escondido ou a promessa quebrada. E tudo isso realmente importa. A família sofre, a confiança é abalada e as consequências financeiras podem ser graves.

Mas, por trás de muitos casos de ludopatia, existe uma emoção silenciosa que ajuda a manter o problema escondido: a vergonha.

A pessoa que joga pode sentir vergonha de ter perdido dinheiro, vergonha de ter mentido, vergonha de ter decepcionado quem ama, vergonha de não conseguir parar e vergonha de precisar de ajuda. Em muitos casos, essa vergonha é tão intensa que a pessoa passa a esconder ainda mais. E, quanto mais esconde, maior o problema fica.

É assim que o transtorno do jogo pode se instalar no silêncio: uma aposta escondida, uma perda não contada, uma tentativa de recuperar, uma nova dívida, uma nova mentira e uma promessa íntima de que “agora eu vou resolver sozinho”.

A vergonha faz a pessoa acreditar que precisa esconder o problema. O tratamento começa quando ela encontra um espaço seguro para falar sobre ele.

Vergonha não é a mesma coisa que culpa

Culpa e vergonha são emoções parecidas, mas não são a mesma coisa. A culpa costuma estar ligada a algo que a pessoa fez: “eu errei”, “eu menti”, “eu perdi dinheiro”, “eu prejudiquei minha família”. Já a vergonha costuma atingir a identidade: “eu sou um fracasso”, “eu não presto”, “eu sou fraco”, “ninguém vai me respeitar se souber”.

Na ludopatia, essa diferença é muito importante. A culpa pode ajudar alguém a reconhecer danos e buscar reparação. A vergonha, quando se torna excessiva, pode paralisar. Em vez de aproximar a pessoa da ajuda, ela a empurra para o segredo.

A pessoa pode pensar: “Se eu contar, vou destruir minha família”; “Se descobrirem, vão me abandonar”; “Se eu ganhar de volta, não preciso contar”; “Se eu resolver sozinho, ninguém vai saber”. O problema é que essa tentativa de resolver sozinho frequentemente leva a novas apostas.

O segredo como tentativa de controle

Muitas pessoas não começam escondendo tudo. No início, pode ser apenas uma pequena omissão: um valor menor do que o real, uma aposta não comentada, uma perda tratada como algo sem importância. Aos poucos, o segredo cresce.

Quando a dívida aumenta, a pessoa pode tentar recuperar o prejuízo antes que alguém descubra. Esse é um ponto muito delicado. O jogo passa a ser visto como o próprio caminho para apagar o estrago causado pelo jogo.

Esse ciclo pode seguir uma lógica parecida:

  • aposta escondida;
  • perda financeira;
  • vergonha e medo de contar;
  • nova aposta para tentar recuperar;
  • nova perda;
  • mentira ou omissão;
  • aumento da dívida;
  • mais vergonha e mais segredo.

O segredo parece proteger, mas geralmente aprisiona. Ele impede que a família perceba o problema cedo, dificulta o acesso a tratamento e aumenta o risco de decisões impulsivas.

Por que é tão difícil contar para a família?

Contar para a família significa enfrentar uma realidade que a pessoa tentou evitar por muito tempo. Significa assumir perdas, revelar mentiras, admitir fragilidade e encarar o impacto nos vínculos.

Para muitos pacientes, o medo não é apenas financeiro. É afetivo. A pessoa teme perder respeito, amor, casamento, confiança, autoridade diante dos filhos ou lugar dentro da família.

Diretrizes clínicas sobre danos relacionados ao jogo reconhecem que o estigma, a vergonha e o medo de revelar o problema podem impedir a pessoa de falar sobre o jogo e buscar tratamento. Isso ajuda a entender por que tantos casos só chegam à família quando a dívida já ficou grande ou quando alguma cobrança externa aparece.

Muitas vezes, a família descobre tarde não porque o problema era pequeno, mas porque a vergonha o manteve escondido.

Vergonha pode atrasar o tratamento

A vergonha não aparece apenas antes da descoberta. Ela também pode atrapalhar depois. Mesmo quando a família já sabe, a pessoa pode evitar falar sobre detalhes importantes: valores reais, plataformas usadas, empréstimos, recaídas, pensamentos de desespero ou tentativas anteriores de parar.

Isso pode prejudicar o tratamento, porque o psicólogo, o médico e a família precisam de uma noção mais clara da gravidade do quadro. Sem informações reais, cria-se um tratamento em cima de uma versão parcial do problema.

Por isso, uma parte importante do processo terapêutico é construir um ambiente em que a verdade possa aparecer sem que isso se transforme em destruição. A verdade pode doer, mas ela também organiza. O segredo, ao contrário, costuma prolongar o sofrimento.

Jogo patológico não é falta de caráter

Um dos maiores obstáculos para pedir ajuda é o medo de ser visto como alguém sem caráter. A pessoa sabe que mentiu, sabe que causou prejuízo e sabe que feriu a confiança da família. Mas reduzir tudo a uma falha moral pode impedir a compreensão clínica do problema.

O transtorno do jogo envolve um padrão persistente de apostas apesar de prejuízos importantes. A pessoa pode continuar jogando mesmo quando percebe danos financeiros, familiares, profissionais e emocionais. Isso não retira sua responsabilidade, mas mostra que o problema precisa ser tratado com mais profundidade.

A frase central aqui é: não é falta de caráter, mas também não é ausência de responsabilidade. A pessoa precisa se responsabilizar pelas consequências, mas também precisa de tratamento, suporte e limites reais.

Quando tudo vira julgamento moral, a pessoa se esconde. Quando tudo vira desculpa, o problema continua. O tratamento precisa encontrar outro caminho.

Como começar a falar sobre o problema?

Não existe uma forma perfeita de contar para a família. Mas existe uma forma mais responsável: com verdade, disposição para assumir consequências e abertura para ajuda.

Alguns pontos podem orientar essa conversa:

  • escolha um momento de privacidade e sem pressa;
  • não conte apenas uma parte pequena se o problema é maior;
  • evite promessas vagas como “nunca mais vou fazer isso”;
  • apresente fatos: dívidas, tempo de jogo, tentativas de parar e riscos atuais;
  • reconheça o impacto causado na família;
  • diga que precisa de ajuda profissional;
  • aceite limites financeiros e combinados de proteção;
  • procure psicoterapia e, se necessário, avaliação médica.

A conversa pode ser difícil, mas ela pode interromper um ciclo muito mais perigoso. Quando o problema sai do segredo, ele pode finalmente entrar no campo do cuidado.

Descobri que meu familiar joga escondido: o que fazer

E como a família pode reagir?

Para a família, ouvir essa revelação pode ser devastador. É natural sentir raiva, medo e decepção. Ninguém precisa fingir tranquilidade diante de uma situação grave. Mas a forma como a família reage pode influenciar bastante os próximos passos.

Algumas atitudes ajudam mais:

  • escutar antes de tomar decisões definitivas;
  • pedir informações concretas sobre dívidas e riscos;
  • evitar humilhação pública;
  • não envolver crianças na discussão;
  • não pagar dívidas sem plano de tratamento;
  • buscar orientação psicológica familiar;
  • estabelecer limites financeiros claros;
  • observar sinais de depressão, desespero ou risco de autoagressão.

A família não precisa escolher entre destruir a pessoa ou proteger o problema. Existe um caminho mais saudável: acolher sem acobertar, limitar sem humilhar e buscar ajuda sem esperar que tudo se resolva apenas com promessa.

O papel do psicólogo diante da vergonha

A psicoterapia oferece um espaço onde a vergonha pode ser trabalhada com cuidado. Muitas vezes, antes de reorganizar dívidas ou construir estratégias de prevenção de recaída, a pessoa precisa conseguir falar. Falar sobre o que fez, o que perdeu, o que escondeu e o que teme perder.

O psicólogo pode ajudar o paciente a compreender o ciclo do jogo, identificar gatilhos emocionais, lidar com impulsividade e construir formas mais honestas de relação com a família. Também pode ajudar a diferenciar responsabilidade de autodestruição.

Assumir responsabilidade não é se esmagar pela culpa. É reconhecer o dano, aceitar ajuda, construir limites e participar ativamente do tratamento.

Além disso, a orientação familiar pode ser decisiva. O psicólogo pode auxiliar os familiares a compreenderem o transtorno, organizarem limites, evitarem o ciclo de apenas remendar dívidas e criarem uma linha de apoio mais firme e consciente.

Quando a vergonha vira risco

Em alguns casos, a vergonha pode vir acompanhada de desespero intenso. A pessoa pode sentir que perdeu tudo, que não há saída, que decepcionou todos ao redor ou que a vida não tem mais solução.

Qualquer fala sobre morte, suicídio, desaparecimento, vontade de dormir e não acordar, ou sensação de que “seria melhor não estar aqui” deve ser levada a sério. Nesses momentos, a prioridade é proteção imediata.

Procure ajuda emergencial, acione familiares próximos, busque uma UPA, pronto atendimento, hospital, SAMU pelo 192 ou CVV pelo 188. A psicoterapia é fundamental, mas situações de risco exigem cuidado imediato e rede de proteção.

O segredo termina quando existe rede

A recuperação da ludopatia raramente acontece apenas pela força de vontade individual. É comum que o tratamento envolva psicoterapia, orientação familiar, grupos de apoio, reorganização financeira, bloqueios de acesso, avaliação médica quando necessário e prevenção de recaídas.

Grupos como Jogadores Anônimos também podem ajudar muitas pessoas a quebrar o isolamento. Ouvir outras histórias permite que o paciente perceba algo importante: “não é só comigo”. Essa identificação pode diminuir a vergonha e aumentar o compromisso com o tratamento.

Para os familiares, grupos de apoio e orientação profissional também podem trazer alívio. A família começa a compreender que não está sozinha, que o problema é tratável e que ajudar não significa pagar tudo, encobrir tudo ou aceitar tudo.

Considerações finais

A vergonha é uma das faces mais dolorosas da ludopatia. Ela faz a pessoa se esconder, mentir, adiar conversas importantes e tentar resolver sozinha um problema que costuma crescer justamente no segredo.

Mas a vergonha não precisa ser o ponto final da história. Quando existe espaço para falar, quando a família recebe orientação e quando o paciente aceita tratamento, o segredo começa a perder força.

Na prática clínica, é comum perceber que o tratamento ganha mais consistência quando o paciente consegue transformar vergonha em responsabilidade. Isso não acontece de uma hora para outra. Mas, quando acontece, algo importante muda: a pessoa deixa de lutar sozinha contra o problema e passa a construir um caminho de cuidado, limite e reconstrução.

A ludopatia não deve ser reduzida a “frescura” ou falta de caráter. É um transtorno que pode gerar sofrimento intenso, mas que também pode ser tratado. E o primeiro passo, muitas vezes, é encontrar coragem para dizer: “eu preciso de ajuda”.

Leia também: O Vício em Apostas Online: Como Buscar Ajuda?

Sobre o autor

Leonardo Fd Araujo – Doctoralia.com.br

Leonardo Fd Araujo
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Atendimento em casos de Ludopatia
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psicologoemcuritiba.com.br
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Bigorrilho, Curitiba – PR

Fontes

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. What is gambling disorder? Washington, DC: APA, s.d. Disponível em: https://www.psychiatry.org/patients-families/gambling-disorder/what-is-gambling-disorder. Acesso em: 26 abr. 2026.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Gambling Disorder. Washington, DC: APA, s.d. Disponível em: https://www.psychiatry.org/patients-families/gambling-disorder.

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de cuidado para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas. Brasília: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2026/guia-de-cuidado-para-pessoas-com-problemas-relacionados-a-jogos-de-apostas.pdf.

NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Gambling-related harms: identification, assessment and management. NICE guideline NG248. Londres: NICE, 2025. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng248/chapter/recommendations.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Gambling. Geneva: WHO, 2024. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/gambling.

Jogo patológico é falta de caráter ou problema de saúde mental?

Jogo patológico é falta de caráter ou um problema de saúde mental?

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  • O jogo patológico, também chamado de transtorno do jogo ou Ludopaia, não deve ser reduzido a falta de caráter, fraqueza moral ou simples irresponsabilidade.

  • A ludopatia envolve perda de controle, tentativas frustradas de parar, mentiras, prejuízos financeiros e sofrimento emocional.

  • Compreender o transtorno não significa retirar responsabilidade da pessoa, mas criar condições reais para tratamento, limite e reparação.

  • A família pode ter papel fundamental na recuperação, especialmente quando recebe orientação psicológica para apoiar sem sustentar o ciclo das apostas.

Jogo patológico é falta de caráter ou um problema de saúde mental?

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Quando uma família descobre que alguém está envolvido com apostas, dívidas, mentiras e perdas financeiras, uma das primeiras reações costuma ser a indignação. É comum surgirem frases como: “Como ele teve coragem?”, “Por que não parou antes?”, “Isso é falta de vergonha”, “É falta de caráter”, “Jogou porque quis”. São muitas a reações diante de um verdadeiro buraco que se abre no meio da sala de casa. Por ele, escorrem sonhos, planos, sentimentos e confiança.

Essas reações são compreensíveis. A família, muitas vezes, está ferida, assustada e cansada. Em alguns casos, descobre que contas foram atrasadas, cartões foram usados escondidos, empréstimos foram feitos sem conversa ou que valores importantes simplesmente desapareceram. Quando a confiança é quebrada, a dor não é apenas financeira; é emocional.

Mas, do ponto de vista clínico, é importante fazer uma distinção fundamental: o transtorno do jogo não é simplesmente falta de caráter. Também não deve ser tratado apenas como “fraqueza moral” ou “irresponsabilidade”. A ludopatia é um problema de saúde mental reconhecido em classificações diagnósticas, marcado por perda de controle, continuidade do comportamento apesar dos prejuízos e sofrimento significativo.

Isso não significa passar a mão na cabeça ou negar as consequências. Pelo contrário. Compreender o transtorno é justamente o que permite sair do ciclo de acusação, promessa, recaída e nova crise. É a partir dessa compreensão que a família, o paciente e os profissionais de saúde podem construir um caminho mais firme, consciente e realista de recuperação.

Por que a família costuma enxergar como falta de caráter?

A família geralmente não vê o início silencioso do problema. O que ela vê é o estrago: a dívida, a mentira, o sumiço do dinheiro, o comportamento defensivo, a irritabilidade, a promessa não cumprida. Por isso, é natural que a primeira interpretação seja moral. Um sábado de tarde, a família comendo pipoca e assistindo a um filme na tv, tudo parece normal. Mas no sofá ao lado o pai de família está torrando os últimos centavos de sua conta. O jogo não tem cheiro, não deixa os olhos perdidos, não precisa ir na boca de fumo buscar algo para jogar. Está tudo ali, na palma das mãos pelo celular.

Quando alguém mente sobre dinheiro, vende objetos, faz empréstimos escondidos ou usa recursos da casa para apostar, a família sente que houve uma escolha consciente contra o vínculo familiar. A dor é real. A quebra de confiança também.

No entanto, no transtorno do jogo, a pessoa pode estar presa a um ciclo de impulso, vergonha, tentativa de recuperar perdas e novas apostas. Ela sabe que está fazendo mal, mas sente dificuldade intensa de interromper o comportamento. Muitas vezes, joga não apenas para ganhar, mas para tentar “consertar” o prejuízo anterior, aliviar ansiedade, fugir de sentimentos difíceis ou recuperar uma sensação momentânea de controle.

A família enxerga a mentira. Na terapia, o Psicólogo irá ajudar a investigar o ciclo que levou à mentira.

O que caracteriza o transtorno do jogo?

O transtorno do jogo, também conhecido como jogo patológico ou ludopatia, envolve uma relação persistente e problemática com apostas, mesmo quando elas já estão causando prejuízos importantes. Não se trata apenas de apostar eventualmente ou perder dinheiro em uma situação isolada.

Alguns sinais merecem atenção:

  • pensar constantemente em apostas, resultados ou perdas anteriores;
  • apostar valores cada vez maiores para sentir a mesma excitação;
  • tentar parar ou reduzir e não conseguir;
  • ficar irritado, ansioso ou inquieto quando tenta interromper o jogo;
  • apostar para aliviar tristeza, culpa, estresse ou sensação de vazio;
  • tentar recuperar perdas com novas apostas;
  • mentir para familiares sobre tempo ou dinheiro gasto;
  • prejudicar relacionamento, trabalho, estudo ou vida financeira;
  • depender de outras pessoas para obter dinheiro ou cobrir dívidas causadas pelo jogo.

Na prática, o transtorno do jogo costuma aparecer como uma sequência: a pessoa aposta, perde, sente culpa, tenta recuperar, perde de novo, esconde, promete parar, volta a apostar e entra em nova crise. O problema não está apenas no ato de jogar, mas na dificuldade de sair desse circuito.

Não é falta de caráter, mas também não é ausência de responsabilidade

Um cuidado importante é não transformar a explicação clínica em desculpa. Dizer que a ludopatia é um problema de saúde mental não significa afirmar que a pessoa não tem responsabilidade. Significa reconhecer que a responsabilidade precisa ser trabalhada dentro de um plano de tratamento.

A pessoa que sofre com transtorno do jogo precisa assumir o impacto de suas escolhas, reparar danos quando possível, reorganizar a vida financeira, aceitar limites e participar ativamente do tratamento. Ao mesmo tempo, ela precisa ser compreendida como alguém que pode estar adoecido, não apenas como alguém “sem caráter”.

Compreender não é justificar. Acolher não é permitir. Tratar não é apagar consequências.

Essa distinção muda tudo. Quando a família fica apenas na acusação, a pessoa pode se esconder ainda mais. Quando a família apenas protege e paga dívidas, pode sustentar o ciclo. O caminho mais saudável exige uma combinação de apoio, limite, tratamento e responsabilidade. Tudo isso é possível a partir da orientação de um Psicólogo. Receber informações de qualidade, entender como calibrar a mão contra o jogo e, principalmente, atuar ativamente no resgate do ente querido.

A vergonha como combustível do problema

A vergonha é uma das emoções mais presentes no transtorno do jogo. A pessoa sente vergonha de ter perdido dinheiro, de ter mentido, de ter decepcionado a família e de não conseguir parar. Muitas vezes, essa vergonha não leva à mudança imediata. Pelo contrário: ela pode levar ao isolamento e a novas apostas, uma tentativa de “resolver tudo”.

O pensamento pode ser mais ou menos assim: “Se eu conseguir ganhar agora, recupero o dinheiro e ninguém precisa saber”. Essa tentativa de apagar o erro com uma nova aposta é uma das armadilhas mais perigosas da ludopatia.

Por isso, humilhação, xingamentos e exposição pública raramente ajudam. Eles podem até parecer uma forma de “dar um choque de realidade”, mas muitas vezes aumentam a vergonha, a defensividade e o segredo. A conversa precisa ser firme, mas precisa preservar algum espaço de diálogo.

O papel fundamental da família na recuperação

A família pode ser uma das partes mais importantes no processo de recuperação. Não porque ela deva controlar tudo, fiscalizar cada passo ou assumir a responsabilidade pelo tratamento, mas porque ela pode ajudar a construir uma rede de apoio firme e consciente.

A intervenção da família precisa ser estruturada, caso contrário toma um corpo de tribunal, de inquisição. A ideia é justamente o contrário, jogar luz ao problema do jogo e deixar claro que todos estão dispostos a correr atrás de uma solução.

Quando bem orientada, a família pode ajudar a pessoa a sair do isolamento, reconhecer o problema, buscar tratamento, organizar limites financeiros e enfrentar as consequências de forma mais estruturada. Em muitos casos, é o familiar que percebe os sinais antes, faz a primeira conversa e ajuda a pessoa a aceitar que precisa de ajuda.

Mas a família também precisa tomar cuidado para não se transformar, sem perceber, em parte do ciclo. Isso acontece quando paga dívidas repetidamente sem nenhum plano, empresta dinheiro sem limite, encobre comportamentos, acredita em promessas vagas ou assume toda a responsabilidade que deveria ser compartilhada com o paciente. Esse tipo de atuação acaba por reforçar o comportamento disfuncional da pessoa com problema de jogo.

A família não deve ser caixa eletrônico, polícia ou plateia do sofrimento. Ela precisa ser rede de apoio com limite, clareza e orientação.

Apoiar não é sustentar o ciclo

Um dos maiores desafios familiares é entender a diferença entre ajudar e alimentar o problema. Ajudar não significa pagar toda dívida imediatamente, liberar acesso irrestrito ao dinheiro ou aceitar novas promessas sem mudança concreta.

Apoiar pode significar:

  • acompanhar a pessoa na busca por tratamento. Auxiliar a encontrar um Psicólogo que atenda casos de ludopatia / transtorno do jogo;
  • participar de orientações familiares quando indicado;
  • ajudar a mapear dívidas e riscos financeiros;
  • combinar limites claros sobre dinheiro, cartão, Pix e empréstimos;
  • evitar humilhação, exposição e ameaças vazias;
  • não pagar novas dívidas sem plano de cuidado e proteção;
  • proteger crianças e adolescentes da tensão e dos efeitos do problema;
  • observar sinais de depressão, desesperança ou risco de autoagressão.

Em alguns casos, pode ser necessário que a família ajude a restringir temporariamente o acesso da pessoa a recursos financeiros. Isso não deve ser feito como punição, mas como medida de proteção dentro de um plano combinado e, preferencialmente, orientado pelo Psicólogo.

O papel do Psicólogo na orientação familiar

O Psicólogo tem um papel importante não apenas no atendimento da pessoa com problema com jogo, mas também na orientação da família. Muitas vezes, os familiares chegam confusos, com raiva, medo, culpa e sem saber como agir. Alguns querem controlar tudo. Outros querem desistir. Outros, ainda, seguem tentando resolver financeiramente aquilo que precisa ser tratado clinicamente.

A orientação psicológica familiar ajuda a construir uma linha de apoio mais forte e consciente. Esse trabalho pode incluir:

  • psicoeducação sobre ludopatia e transtorno do jogo;
  • identificação de sinais de recaída e comportamentos de risco;
  • organização de limites financeiros e familiares;
  • orientação sobre como conversar sem humilhar e sem ceder demais;
  • apoio para lidar com raiva, frustração, medo e quebra de confiança;
  • construção de um plano de prevenção de recaídas;
  • encaminhamento para avaliação médica ou psiquiátrica quando necessário;
  • fortalecimento da rede de apoio e da corresponsabilidade no cuidado.

Esse ponto é essencial: a família precisa aprender a ajudar sem adoecer junto. O tratamento não pode depender apenas da vigilância familiar, mas a família também não precisa permanecer sozinha, perdida entre a raiva e a culpa.

Uma linha forte e consciente de apoio

A recuperação exige uma linha de apoio que seja, ao mesmo tempo, humana e firme. Humana, porque a pessoa que sofre com ludopatia muitas vezes está tomada por vergonha, ansiedade, medo e desorganização. Firme, porque o transtorno do jogo se alimenta de brechas, impulsos e promessas sem sustentação.

Uma linha familiar forte pode funcionar com alguns princípios:

  • clareza: todos precisam entender qual é o problema e quais são os riscos;
  • limite: dinheiro, acesso a crédito e novas dívidas precisam ser tratados com objetividade;
  • consistência: a família precisa evitar ameaças que não serão cumpridas e acordos que mudam a cada crise;
  • acolhimento: a pessoa precisa encontrar espaço para falar sem ser destruída pela vergonha;
  • responsabilidade: o paciente precisa participar do tratamento e assumir consequências reais;
  • proteção: a família precisa proteger o orçamento, os filhos, os vínculos e a própria saúde emocional.

Esse tipo de apoio não se constrói apenas com boa intenção. Ele exige orientação, conversas difíceis e decisões práticas. Muitas famílias precisam aprender a sair do ciclo de crise e entrar em uma lógica de tratamento.

E quando a pessoa não aceita ajuda?

Nem sempre a pessoa reconhece o problema no primeiro momento. Algumas minimizam perdas, culpam o azar, dizem que estão “quase recuperando”, prometem parar depois da próxima aposta ou afirmam que a família está exagerando.

Nesses casos, a família não precisa esperar passivamente. Mesmo que a pessoa ainda não aceite tratamento, os familiares podem buscar orientação psicológica para entender como agir, quais limites estabelecer, como se proteger financeiramente e como conversar de forma mais estratégica.

A mudança de postura da família pode ser um ponto de virada. Quando familiares deixam de apenas reagir emocionalmente e passam a agir com clareza, o ciclo pode começar a perder força.

Quando o risco exige atenção imediata

O transtorno do jogo pode estar associado a sofrimento intenso, depressão, ansiedade, uso de álcool ou outras drogas, endividamento grave e pensamentos de morte. Por isso, qualquer fala sobre suicídio, desesperança extrema ou impossibilidade de continuar vivendo deve ser tratada com seriedade.

Nessas situações, a família deve acionar ajuda imediata. No Brasil, em situações de risco, é possível procurar uma emergência, UPA, hospital, SAMU pelo 192 ou o Centro de Valorização da Vida – CVV pelo 188. A psicoterapia é importante, mas crises agudas exigem proteção imediata e rede de cuidado.

Considerações finais

Chamar o jogo patológico de falta de caráter pode até expressar a dor da família, mas não ajuda a compreender o problema em sua profundidade. A ludopatia é um quadro complexo, que envolve comportamento, emoção, impulso, vergonha, perdas financeiras, vínculos familiares e sofrimento psíquico.

Ao mesmo tempo, compreender a ludopatia como problema de saúde mental não significa retirar responsabilidade da pessoa. O tratamento precisa incluir compromisso, limites, reparação possível, reorganização financeira e mudanças concretas de comportamento.

A família tem papel fundamental nesse processo. Quando orientada, ela pode deixar de ser apenas espectadora da crise e passar a compor uma rede de apoio firme, consciente e protetiva. O psicólogo pode ajudar nessa construção, oferecendo escuta, psicoeducação, orientação familiar e estratégias para prevenção de recaídas.

Se o jogo passou a gerar dívida, mentira, sofrimento, conflitos ou perda de controle, talvez seja o momento de buscar ajuda. O caminho da recuperação não começa com julgamento. Começa com reconhecimento, responsabilidade e cuidado.

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Sobre o autor

Leonardo Fd Araujo – Doctoralia.com.br

Leonardo Fd Araujo
Psicólogo em Curitiba CRP 08/10907
Terapia | Terapia Online | Palestras

Atendimento em casos de Ludopatia
Avaliação Psicológica para Vasectomia
psicologoemcuritiba.com.br
41 9.9643-9560
Atendimento presencial e online
Bigorrilho, Curitiba – PR

Fontes

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Gambling Disorder. Washington, DC: APA, s.d. Disponível em: https://www.psychiatry.org/patients-families/gambling-disorder.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. What is Gambling Disorder? Washington, DC: APA, s.d. Disponível em: https://www.psychiatry.org/patients-families/gambling-disorder/what-is-gambling-disorder.

NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Gambling-related harms: identification, assessment and management. NICE guideline NG248. Londres: NICE, 2025. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng248.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Gambling. Geneva: WHO, 2024. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/gambling.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Addictive behaviour. Geneva: WHO, s.d. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/addictive-behaviour.

Lei da Atração e Psicologia: Como Seus Pensamentos Moldam Sua Realidade

  • Artigo publicado em: 3 junho, 2025
  • Categorias:

Descubra como seus pensamentos moldam sua realidade à luz da psicologia. A “trilha sonora da mente” influencia emoções, decisões e experiências no seu dia a dia.

Resumo do artigo: 

  • O jeito como você pensa e se sente define o “clima” do seu dia.

  • Pensamentos funcionam como trilha sonora da vida: influenciam emoções e comportamentos.

  • Viés de confirmação e efeito priming explicam como atraímos o que focamos.

  • Ao mudar seu estado interno, você transforma sua percepção e suas escolhas.

  • O psicólogo Leonardo Fd Araujo oferece atendimento psicológico com opção presencial em Curitiba ou On-line para todo o Brasil, de forma rápida e prática

    Leonardo Fd Araujo – Doctoralia.com.br

Lei da Atração: Como a Forma de se Enxergar Transforma sua Realidade

Leia o artigo completo: tempo de leitura 6 minutos

A trilha sonora da sua mente molda sua experiência

Já percebeu como alguns dias parecem fluir melhor do que outros, mesmo sem grandes mudanças externas? Muito disso tem a ver com o tom e o ritmo dos nossos pensamentos — aquilo que a chamada lei da atração ajuda a ilustrar de forma simbólica, mas poderosa.

Imagine que sua vida é como um filme, e o seu estado mental define a trilha sonora que embala esse enredo. Se você começa o dia mentalmente sintonizado no “rock pesado” — ansiedade, pressa, frustração — tudo à sua volta tende a se harmonizar com essa vibração. Os acontecimentos não mudam magicamente, mas sua forma de interpretá-los sim. E isso muda tudo.

Não tem como viver um dia fluido, sereno e leve se a música de fundo da sua mente está em ritmo de guerra. A trilha do seu dia — ou seja, sua perspectiva, seus pensamentos, suas emoções — influencia diretamente a maneira como você percebe, reage e constrói a sua experiência.

O que a psicologia tem a dizer sobre isso?

Embora a lei da atração seja muitas vezes associada a conceitos esotéricos, há fundamentos psicológicos que ajudam a compreender por que e como ela pode fazer sentido na prática.

Um deles é o viés de confirmação — um fenômeno cognitivo descrito por Raymond Nickerson (1998), que mostra como tendemos a focar, lembrar e interpretar as informações de maneira a confirmar nossas crenças prévias. Se você acredita que “nada dá certo na sua vida”, seu cérebro, de forma inconsciente, vai reforçar essa narrativa, filtrando a realidade a partir desse padrão. Por outro lado, ao cultivar uma perspectiva mais otimista e construtiva, você passa a perceber mais oportunidades, alternativas e caminhos.

Outro conceito relevante é o efeito priming (ou efeito de ativação), pesquisado por John Bargh e colaboradores, que mostra como estímulos sutis — inclusive os pensamentos — influenciam nossas decisões e comportamentos posteriores. Quando você começa o dia visualizando intenções positivas ou repetindo afirmações saudáveis, está, na prática, criando um “estado mental propício” para reagir de forma mais alinhada com seus objetivos.

Sua trilha, seu ritmo, sua experiência

Assim como escolher uma música pode mudar completamente o clima de uma caminhada ou de uma tarde em casa, o tom dos seus pensamentos pode mudar o clima da sua realidade. Isso não quer dizer ignorar problemas ou viver num otimismo inconsequente ou tóxico. A ideia aqui é aprender a modular seu estado interno para que você não seja apenas um espectador do que acontece, mas alguém que conduz com mais consciência a própria jornada.

Você pode continuar ouvindo o mesmo ritmo frenético, achando que a vida é assim mesmo — ou pode experimentar ajustar o volume, mudar o estilo e ver o que acontece.

Um exercício simples para mudar sua trilha sonora interna

No início do seu dia, feche os olhos por alguns minutos e imagine como gostaria que ele fluísse. Tente visualizar, com detalhes, você lidando com suas tarefas de forma calma, produtiva e com boa energia. Imagine as emoções, as expressões faciais, até a postura do seu corpo. Depois, escolha uma palavra ou frase que represente essa intenção. Use-a como um “mantra mental” ao longo do dia.

Isso não é ilusão. É treino. E quanto mais você pratica, mais natural se torna essa mudança de frequência. Aliar esse tipo de exercício imaginativo a práticas meditativas pode ser uma excelente forma de começar o seu dia.

Um convite à reflexão através do cinema

Uma forma sensível de se reconectar com esse tema é através do filme “A Vida Secreta de Walter Mitty” (The Secret Life of Walter Mitty, 2013). Nele, acompanhamos a um homem preso à rotina e aos próprios pensamentos limitantes, que aos poucos começa a visualizar uma vida diferente — até que se permite vivê-la.

A mudança de realidade, neste caso, começa dentro. É quando ele troca a “trilha mental” do medo e da monotonia por uma mais aventureira e autêntica, que a sua experiência externa começa a se transformar. Assistir a esse filme pode ser uma inspiração para perceber como pequenos ajustes internos têm grande impacto na vida real.

Conclusão: Mais do que pensar positivo, é pensar com consciência

A lei da atração, sob o olhar da psicologia, pode ser entendida como um convite à autorresponsabilidade, à clareza mental e ao cultivo de intenções coerentes com seus desejos mais profundos. Não se trata de pensar positivo o tempo todo, mas de escolher com mais atenção o que você alimenta dentro de si.

A trilha sonora da sua mente pode ser ajustada — e isso influencia diretamente como você vive, reage, cria e se relaciona. Comece aos poucos, com pequenos rituais mentais, mudanças de perspectiva e espaço para novos olhares. Lembre-se que é importante tirar um tempo para si, dar espaço para que esse tipo de reflexão aconteça.

E se você sente que está difícil mudar essa trilha sozinho, considere buscar apoio profissional. A psicoterapia é um espaço seguro para reorganizar seus pensamentos, curar padrões repetitivos e construir uma forma mais leve e autêntica de viver.

O psicólogo Leonardo Fd Araujo, em Curitiba, oferece atendimento psicológico há mais de 20 anos. Entre em contato e dê o primeiro passo! Atendimentos presenciais em nosso consultório no Bigorrilho e On-line de onde você estiver, dentro e fora do Brasil!

Sua mente pode ser seu melhor aliado — desde que você esteja disposto a escutá-la com mais cuidado. Agende uma conversa e vamos caminhar juntos rumo à sua cura emocional. Pode contar comigo!

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Para citações:

ARAUJO, Leonardo Fd. Lei da Atração e Psicologia: Como Seus Pensamentos Moldam Sua Realidade In: LEONARDO Fd Araujo | Psicologia. 03 jun. 2025. Disponível em: https://psicologoemcuritiba.com.br/2025/06/lei-da-atracao-e-psicologia/

Referências

NICKERSON, R. S. (1998). Confirmation Bias: A Ubiquitous Phenomenon in Many Guises. Review of General Psychology, 2(2), 175–220.

BARGH, J. A., & CHARTRAND, T. L. (1999). The Unbearable Automaticity of Being. American Psychologist, 54(7), 462–479.

Solidão no pós-término: como se recuperar emocionalmente?

  • Artigo publicado em: 28 maio, 2025
  • Categorias:

 

Resumo do artigo: 

  • Sentir-se sozinho após o fim de um relacionamento é mais comum do que parece.

  • Vivenciar o luto amoroso é essencial para elaborar a perda e seguir em frente.

  • Autoconhecimento e autocuidado são aliados poderosos nesse processo.

  • Filmes podem ajudar a refletir e encontrar conforto emocional durante essa fase.

  • O psicólogo Leonardo Fd Araujo oferece  atendimento psicológico com opção presencial em Curitiba ou On-line para todo o Brasil, de forma rápida e prática.

    Leonardo Fd Araujo – Doctoralia.com.br

Solidão no pós-término: como se recuperar emocionalmente?

Leia o artigo completo: tempo de leitura 6 minutos

Recebi uma dúvida sobre “solidão no pós término” do leitor, o A.D. , homem, 42 anos:
“Leonardo, desde que terminei um relacionamento de mais de 15 anos me sinto sozinho. Já se passaram mais de 7 meses, mesmo estando com pessoas, amigos e saindo com algumas garotas, a solidão está sendo pesada para lidar. Gostaria que falasse mais sobre isso! É normal sentir-se assim ou estou exagerando?”:

Então vamos lá, esse artigo é para responder essa dúvida do nosso leitor e que pode ser também a sua! Como se trata da dúvida de um leitor homem, vou direcionar a resposta ao público masculino. Porém, fica fácil de perceber que alguns dos pontos se fundem e são inerentes a ambos os gêneros.

O fim de um relacionamento pode ser um dos momentos mais desafiadores da vida de um homem. Para muitos, a dor do término não se limita à perda da parceira, mas também às consequências emocionais que vêm junto com ele: a solidão, a dúvida sobre o futuro e a dificuldade de expressar o sofrimento. Homens, de maneira geral, foram ensinados a engolir o choro e seguir em frente como se nada tivesse acontecido. Mas ignorar a dor pode fazer com que ela se transforme em um problema ainda maior.

A solidão após o término: um peso invisível

Uma pesquisa do Instituto Gallup (2023)* revelou que os homens têm redes de apoio significativamente menores do que as mulheres. Enquanto muitas mulheres contam com amigas próximas para dividir emoções, grande parte dos homens tende a se isolar. Esse isolamento emocional pode levar a um aumento nos sintomas de ansiedade e depressão, tornando o período pós-término ainda mais desafiador.

Sem um espaço seguro para falar sobre suas emoções, muitos recorrem a estratégias ineficazes para lidar com a dor. Trabalho excessivo, consumo de álcool ou mergulhar rapidamente em novos relacionamentos podem parecer soluções, mas, na maioria dos casos, são apenas distrações temporárias. O que realmente pode ajudar é encarar a solidão de frente, lidando com a realidade dos fatos e aprender a lidar com o momento de maneira saudável.

4 Passos para reconstruir-se após o término

1. Aceite a dor sem pressa de superá-la
O primeiro impulso de muitos homens é tentar ignorar ou reprimir a dor. Mas sentimentos não desaparecem apenas porque escolhemos não olhá-los. Permita-se sentir, sem pressa para “superar” o término rapidamente.

2. Reconstrua sua identidade individual
Relacionamentos podem fazer com que nossas identidades se misturem com as do parceiro. Redescubra seus interesses, hobbies e paixões. O que você gostava de fazer antes do relacionamento? O que sempre quis experimentar, mas nunca teve tempo?

3. Fortaleça sua rede de apoio
Se você não tem o hábito de compartilhar emoções com amigos, esse é um bom momento para mudar. Converse com amigos próximos que sejam confiáveis. Procurar um psicólogo pode te ajudar a organizar os sentimentos e entender melhor os caminhos a seguir. O diálogo criado na terapia é essencial para não se afogar na solidão e entender melhor o que está acontecendo.

4. Cuide do seu corpo e da sua mente
Praticar exercícios físicos, dormir bem e manter uma alimentação equilibrada fazem diferença no bem-estar emocional. O corpo e a mente estão conectados, e investir na sua saúde física é também investir na sua recuperação emocional.

“Quarentena emocional”: o tempo necessário para curar antes de recomeçar

Depois de um término, é comum sentir um vazio e buscar formas de preenchê-lo rapidamente. Muitos acabam mergulhando em novos relacionamentos ou buscando distrações constantes para evitar encarar a dor da separação. No entanto, isso pode ser um grande erro.

Chamo de “quarentena emocional” o período de pausa intencional para processar o luto do fim do relacionamento, entender as lições da relação e fortalecer a própria identidade antes de seguir em frente. O tempo da quarentena pode variar de pessoa para pessoa. No consultório percebo que, geralmente, um tempo entre 2 e 4 meses é o suficiente para organizar em boa parte o coração e os sentimentos.

Esse tempo permite que você evite repetições, pois sem um tempo de reflexão, há o risco de cair nos mesmos padrões e acabar em um novo relacionamento pelos motivos errados.
Fortalecer a sua autonomia emocional, a solidão pode ser desconfortável, mas aprender a estar bem consigo mesmo é essencial para relações futuras mais saudáveis. Outro ponto fundamental é respeitar seu próprio ritmo, precisamos entender que cada pessoa leva um tempo diferente para superar um término, uns estarão se sentindo prontos em 40 dias, outros em 6 meses. Forçar-se a seguir em frente sem ter elaborado a dor pode gerar ou aumentar feridas emocionais não resolvidas.

Esse período pode servir também para dar um significado à experiência, ao invés de encarar o fim apenas como uma perda, esse tempo de pausa ajuda a enxergá-lo como uma oportunidade de amadurecimento.

Criar essa “quarentena emocional” não significa isolar-se do mundo, mas sim dar a si mesmo o espaço necessário para processar o que aconteceu e, só então, estar pronto para novas conexões. Além do mais, é preciso entender o que você irá buscar e procurar em um próximo relacionamento.

O cinema como espelho da reconstrução pós-término

Como vimos neste artigo, vivenciar o luto após o fim de um relacionamento é um processo legítimo e necessário. Trata-se de um período de recolhimento, mas também de recomeço. Para muitos, o silêncio da solidão pode ser assustador — mas ele também pode ser fértil. Sempre convido meus clientes a assistir filmes sobre temas ligados a situações da vida em geral. Nesse momento, obras cinematográficas podem funcionar como espelhos e guias simbólicos, ajudando a nomear sentimentos e a encontrar caminhos de autocuidado.

Comer Rezar Amar (Eat Pray Love, 2010)
Liz (Julia Roberts) decide embarcar em uma jornada de autoconhecimento por três países após o divórcio. O prazer (Itália), a espiritualidade (Índia) e o equilíbrio (Indonésia) representam camadas do processo de cura. O filme nos apresenta um lembrete poderoso de que cuidar do corpo, da mente e da alma é parte essencial do recomeço. E que, durante a essa jornada, podemos até mesmo encontrar um novo amor!

Oportunidade de crescimento

Pode parecer clichê, mas é verdade: todo término também é uma oportunidade de crescimento. Ele nos obriga a olhar para dentro e entender quem somos quando estamos sozinhos. É um momento de autoconhecimento, onde aprendemos a ser felizes com nossa própria companhia.

Se você sente que a solidão está pesando demais ou que não consegue sair desse ciclo sozinho, buscar ajuda um psicólogo é uma excelente escolha. A terapia pode ser um espaço seguro para entender suas emoções e criar um novo caminho para sua vida. Lembre-se: você não precisa enfrentar isso sozinho!

O psicólogo Leonardo Fd Araujo, em Curitiba, oferece atendimento especializado para ajudar pessoas que enfrentam esse tipo de questão. Entre em contato e dê o primeiro passo! Atendimentos presenciais em nosso consultório no Bigorrilho e On-line de onde você estiver, dentro e fora do Brasil!

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Para citações:

ARAUJO, Leonardo Fd. Solidão no pós-término: como se recuperar emocionalmente? In: LEONARDO Fd Araujo | Psicologia. 28 mai. 2025. Disponível em: https://psicologoemcuritiba.com.br/2025/05/solidao-no-pos-termino-como-se-recuperar-emocionalmente/  Acesso em:

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*Fonte da pesquisa: Instituto Gallup. “Social Connections and Loneliness.” Gallup, 2023.