Como oferecer ajuda a um familiar com problemas com jogo
- Artigo publicado em: 13 abril, 2026
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Ajudar um familiar com problemas com jogo exige escuta, firmeza e cuidado para não transformar a conversa em julgamento.
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O primeiro passo é criar um espaço seguro para que a pessoa consiga falar sobre perdas, dívidas, vergonha e dificuldade de parar.
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A família pode ajudar buscando informações de qualidade, pesquisando profissionais e oferecendo caminhos concretos de tratamento.
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Uma rede inicial de apoio pode facilitar a aceitação da ajuda profissional e o início do tratamento da ludopatia.
Como oferecer ajuda a um familiar com problemas com jogo
Tempo estimado de leitura: 5 minutos
Descobrir que um familiar está com problemas relacionados a jogos de apostas pode trazer uma mistura de emoções: susto, raiva, medo, tristeza, dúvida e, muitas vezes, sensação de impotência. A família quer ajudar, mas nem sempre sabe como começar.
É comum que a primeira reação seja cobrar, pressionar ou tentar resolver a situação financeira rapidamente. Em alguns casos, isso pode até parecer necessário. Mas, quando existe perda de controle, dívidas, mentiras, vergonha e tentativas frustradas de parar, o problema precisa ser olhado com mais profundidade.
Ajudar um familiar com ludopatia não significa passar a mão na cabeça. Também não significa transformar a pessoa em inimiga. O caminho mais saudável costuma estar entre esses dois extremos: acolher com firmeza, oferecer apoio real e encaminhar para tratamento. Aqui neste artigo você encontra um roteiro, passo a passo, uma sugestão de como essa primeira conversa pode acontecer com o familiar que esteja com problemas com jogos de azar.
1. Escolha o momento certo para conversar
A primeira conversa é muito importante. Evite abordar o familiar no meio de uma briga, diante de outras pessoas ou em um momento de grande tensão. O ideal é escolher um momento com privacidade, sem pressa e sem exposição.
A conversa pode começar de forma simples e direta:
“Eu estou preocupado com você. Percebi que o jogo tem causado sofrimento e quero entender melhor o que está acontecendo. Não quero te humilhar, mas acho que precisamos buscar ajuda.”
Esse tipo de abordagem não nega a gravidade do problema, mas evita que a conversa comece como um ataque. Quando a pessoa se sente apenas acusada, pode se fechar, negar ou esconder ainda mais.

2. Ofereça escuta antes de oferecer solução
Muitas vezes, o familiar já está tomado por vergonha. Ele pode ter mentido, perdido dinheiro, ter pego dinheiro com agiotas, feito empréstimos, escondido apostas ou prometido parar sem conseguir. Por isso, antes de listar soluções, tente escutar.
Algumas perguntas podem ajudar:
- há quanto tempo isso está acontecendo?
- você sente que perdeu o controle?
- já tentou parar sozinho?
- existem dívidas ou riscos que a família precisa saber? (principalmente com agiotas)
- você aceita conversar com um profissional?
Escutar não significa concordar com tudo. Significa abrir um espaço para que a verdade apareça. Sem esse espaço, a família pode continuar lidando apenas com pedaços do problema.
3. Evite transformar a ajuda em julgamento
Frases como “isso é falta de caráter”, “você acabou com tudo” ou “é só parar” podem parecer compreensíveis no calor da dor, mas raramente ajudam. Elas tendem a aumentar a vergonha e a resistência.
O transtorno do jogo não deve ser reduzido a fraqueza moral. A pessoa precisa assumir responsabilidade, sim. Mas também precisa de tratamento, orientação e limites concretos.
Uma postura mais útil é dizer:
“Eu não vou fingir que está tudo bem. Mas também não quero te destruir pela vergonha. Vamos procurar ajuda e organizar os próximos passos.”
4. Busque informações de qualidade
Antes de propor qualquer caminho, a família pode se informar melhor sobre ludopatia, transtorno do jogo, grupos de apoio e possibilidades de tratamento. Isso ajuda a diminuir o pânico e evita decisões impulsivas.
Procure materiais produzidos por profissionais de saúde, instituições reconhecidas e serviços especializados. Também pode ser útil pesquisar sobre grupos como Jogadores Anônimos, ferramentas de bloqueio de apostas e recursos de autoexclusão.
Quando a família entende melhor o problema, ela para de agir apenas no susto e começa a construir uma resposta mais organizada.
5. Pesquise profissionais e apresente caminhos concretos
Uma forma prática de ajudar é pesquisar profissionais que atuem no atendimento de casos de ludopatia, transtorno do jogo ou “vício em jogos de azar”. Pode procurar ainda por dependências comportamentais, saúde mental ou orientação familiar. Uma busca no Google ou mesmo no Chatgpt será bastante útil neste momento. É preciso entender que, muitas vezes, a pessoa que joga está tão envergonhada ou confusa que não consegue dar esse primeiro passo sozinha.
A família pode ajudar dizendo:
- “Encontrei um psicólogo que atende casos de ludopatia.”
- “Podemos marcar uma primeira conversa.”
- “Eu posso ir com você ou participar de uma orientação familiar, se for indicado.”
- “Não precisamos resolver tudo hoje, mas precisamos começar.”
O objetivo é transformar a ajuda em algo concreto. Em vez de apenas dizer “você precisa se tratar”, a família oferece um caminho possível.

6. Crie uma rede inicial de apoio
A família não precisa enfrentar tudo sozinha. Dependendo do caso, pode ser importante envolver uma ou duas pessoas de confiança: um irmão, pai, mãe, amigo próximo ou outro familiar que tenha equilíbrio para ajudar.
O cuidado aqui é não transformar a situação em exposição pública. A rede deve ser pequena, discreta e funcional. O objetivo não é constranger o familiar, mas criar apoio para que ele aceite ajuda e consiga sustentar o tratamento.
Essa rede pode ajudar a:
- acompanhar o início do tratamento;
- organizar limites financeiros;
- reduzir acesso a apostas;
- oferecer presença em momentos de crise;
- ajudar a família a não agir apenas no desespero.
7. Ajude sem sustentar o ciclo
Ajudar não significa pagar dívidas repetidamente, liberar dinheiro sem controle ou acreditar em promessas vagas. Muitas famílias, tentando proteger quem amam, acabam alimentando o ciclo sem perceber.
Apoio verdadeiro envolve limite. Pode ser necessário conversar sobre cartões, empréstimos, Pix, acesso a aplicativos e proteção do orçamento familiar. Esses combinados devem ser feitos com cuidado, preferencialmente com orientação profissional.
A família pode ser apoio, mas não deve se transformar em caixa eletrônico, polícia ou única responsável pela recuperação.
Quando buscar ajuda com urgência?
Alguns sinais exigem atenção imediata: fala sobre morte, desespero intenso, ameaça de desaparecer, risco de autoagressão, uso abusivo de álcool ou outras substâncias, dívidas com risco de violência ou comportamento muito desorganizado.
Nesses casos, procure ajuda emergencial. Acione familiares próximos, serviços de saúde, UPA, pronto atendimento, hospital, SAMU pelo 192 ou CVV pelo 188.
Considerações finais
Oferecer ajuda a um familiar com problemas com jogo exige sensibilidade e firmeza. A família precisa acolher sem encobrir, orientar sem humilhar e apoiar sem sustentar o ciclo da dependência.
O primeiro passo pode ser uma conversa honesta. O segundo, buscar informação de qualidade. O terceiro, apresentar caminhos concretos: psicoterapia, orientação familiar, grupos de apoio e, quando necessário, avaliação médica.
Na prática clínica, é possível perceber que o tratamento tende a ganhar mais força quando a família deixa de agir apenas na crise e começa a construir uma rede inicial de apoio. O familiar que joga passa a se sentir menos sozinho, mas também mais responsável pelo próprio processo.
A ludopatia é um transtorno tratável. E, muitas vezes, o início da recuperação começa quando alguém da família consegue dizer, com firmeza e cuidado: “você não precisa enfrentar isso sozinho, mas precisamos buscar ajuda de verdade!”. Pode contar comigo nesse processo!
Leia também: Descobri que meu marido joga escondido: o que fazer?
Sobre o autor
Leonardo Fd Araujo – Doctoralia.com.br
Leonardo Fd Araujo
Psicólogo em Curitiba CRP 08/10907
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Atendimento presencial e online
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Fontes
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. What is gambling disorder? Washington, DC: APA, s.d. Disponível em: https://www.psychiatry.org/patients-families/gambling-disorder/what-is-gambling-disorder.
BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de cuidado para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas. Brasília: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2026/guia-de-cuidado-para-pessoas-com-problemas-relacionados-a-jogos-de-apostas.pdf.
NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Gambling-related harms: identification, assessment and management. NICE guideline NG248. Londres: NICE, 2025. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng248.
Autoeficácia: por que acreditar na própria capacidade muda a forma como você vive
- Artigo publicado em: 8 abril, 2026
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Autoeficácia é a crença de que você é capaz de agir, aprender, persistir e lidar melhor com os desafios da vida.
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Ela não é a mesma coisa que autoestima, mas influencia diretamente a forma como a pessoa se posiciona diante das dificuldades.
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Autoeficácia, autoimagem e autoestima formam uma tríade importante para a saúde emocional e para a construção de uma relação mais saudável consigo mesmo.
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A boa notícia é que a autoeficácia pode ser fortalecida ao longo da vida, inclusive com o auxílio da psicoterapia.
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Ao final, você ainda confere uma dica de filme para refletir sobre confiança em si mesmo, perseverança e reconstrução emocional.
Autoeficácia: o que é, como influencia a autoestima e por que ela é importante
Leitura estimada: 6 minutos
Muita gente convive com a sensação de que não é capaz, mesmo tendo qualidades, experiência e potencial. Em muitos casos, isso tem relação com a autoeficácia, um conceito importante da psicologia que diz respeito à crença na própria capacidade de agir, aprender, persistir e enfrentar desafios. Entender o que é autoeficácia, como ela se relaciona com a autoestima e de que forma interfere na autoimagem pode ser um passo importante para fortalecer a saúde emocional e desenvolver mais segurança diante da vida.
Em outras palavras, a autoeficácia ajuda a explicar por que algumas pessoas seguem tentando mesmo quando o caminho parece difícil, enquanto outras desistem antes mesmo de começar. Mais do que um conceito teórico, ela tem impacto direto na forma como lidamos com frustrações, escolhas, mudanças e metas pessoais. E justamente por isso esse tema desperta tanto interesse dentro da psicologia e também entre pessoas que buscam se compreender melhor.
O que é autoeficácia e por que esse conceito importa tanto?
A autoeficácia pode ser entendida como a crença que a pessoa tem de que é capaz de lidar com determinadas situações, superar obstáculos e produzir resultados por meio das próprias ações. Não se trata apenas de pensar de forma otimista, mas de desenvolver uma confiança realista na própria capacidade de agir.
Esse conceito ajuda a explicar por que duas pessoas, diante de uma mesma dificuldade, podem reagir de maneiras tão diferentes. Enquanto uma percebe um problema como algo difícil, mas enfrentável, a outra já se sente derrotada antes mesmo de tentar. Em muitos casos, a diferença não está apenas no conhecimento, no talento ou na experiência, mas na forma como cada uma percebe sua própria capacidade de responder ao desafio.
A forma como você acredita em sua própria capacidade pode mudar completamente a maneira como enfrenta a vida.
Na prática, a autoeficácia interfere diretamente em vários aspectos do cotidiano, como a disposição para tentar algo novo, a persistência diante das dificuldades, a tolerância à frustração e até a coragem para tomar decisões importantes. Pessoas com autoeficácia mais fragilizada tendem a pensar frases como “eu não dou conta”, “isso não é para mim” ou “não adianta tentar”. Já quem desenvolve uma percepção mais sólida de capacidade costuma adotar uma postura mais funcional, como “vai ser difícil, mas posso aprender” ou “talvez eu consiga lidar melhor com isso do que imagino”.
Autoeficácia e psicologia positiva: um olhar para as forças emocionais
Quando falamos em autoeficácia, também abrimos espaço para uma conversa importante com a psicologia positiva. Ao contrário do que muita gente imagina, psicologia positiva não significa ignorar a dor ou viver em um estado artificial de otimismo. Trata-se de um campo da psicologia que busca compreender, de forma científica, os recursos internos e externos que favorecem bem-estar, crescimento emocional, resiliência e qualidade de vida.
Dentro dessa perspectiva, a autoeficácia ganha destaque porque fortalece a percepção de competência, iniciativa e enfrentamento. Quando a pessoa acredita que pode agir com mais clareza e consistência, ela deixa de viver apenas reagindo à vida e passa a participar dela de forma mais ativa.
Isso não quer dizer ausência de medo, insegurança ou sofrimento. A questão é que, mesmo sentindo tudo isso, a pessoa começa a perceber que ainda pode construir caminhos. E essa mudança de posição interna faz diferença. A autoeficácia não apaga os problemas, mas reduz a sensação de impotência diante deles.
- Favorece uma postura mais ativa diante dos desafios.
- Ajuda a sustentar metas e escolhas com mais consistência.
- Contribui para o enfrentamento emocional em momentos difíceis.
- Fortalece a percepção de recursos internos e possibilidades reais de mudança.
A autoeficácia não elimina o sofrimento, mas pode transformar a forma como a pessoa se relaciona com ele.
Autoeficácia, autoimagem e autoestima: entendendo essa tríade
Esse é um dos pontos mais interessantes do tema. Muitas pessoas confundem autoeficácia com autoestima, mas os dois conceitos não são iguais.
A autoestima está relacionada ao valor que a pessoa atribui a si mesma. É o quanto ela se sente digna, valiosa e merecedora. A autoimagem, por sua vez, diz respeito à forma como a pessoa se enxerga, envolvendo aparência, personalidade, capacidades e identidade. Já a autoeficácia está relacionada à crença de que se consegue agir, aprender, enfrentar e lidar com situações de forma eficaz.
Essas três dimensões se influenciam o tempo todo e ajudam a compor a forma como cada pessoa se percebe e se posiciona no mundo.
- Autoimagem: responde, em grande parte, à pergunta “como eu me vejo?”.
- Autoestima: se aproxima da pergunta “quanto eu me valorizo?”.
- Autoeficácia: toca a pergunta “o quanto eu acredito que consigo?”.
Quando essa tríade está enfraquecida, o sofrimento costuma aparecer de forma mais intensa. A pessoa pode se enxergar mal, se valorizar pouco e ainda acreditar que não consegue mudar nada em sua vida. Esse cenário favorece insegurança, procrastinação, autossabotagem, comparação excessiva e sensação de fracasso.
Por outro lado, quando a autoeficácia começa a se fortalecer, isso pode repercutir positivamente também na autoestima e na autoimagem. Afinal, à medida que a pessoa vive experiências concretas de competência, começa a construir uma visão mais firme e mais saudável de si mesma. Muitas vezes, fortalecer a autoestima passa justamente por experimentar, na prática, que se é capaz.

A autoeficácia pode ser desenvolvida?
Sim, e essa é uma das notícias mais importantes sobre o tema. A autoeficácia não é um traço fixo, como se algumas pessoas simplesmente nascessem confiantes e outras não. Ela pode ser construída e fortalecida ao longo da vida.
Isso costuma acontecer por meio de experiências reais, pequenas conquistas, metas possíveis, aprendizados consistentes e enfrentamentos bem conduzidos. Quando a pessoa percebe, na prática, que conseguiu lidar com algo que antes parecia impossível, sua crença interna começa a se reorganizar.
Às vezes, isso acontece em situações simples, mas emocionalmente significativas:
- colocar um limite;
- sustentar uma decisão;
- retomar uma rotina;
- enfrentar uma conversa difícil;
- persistir em algo mesmo com medo.
Frases motivacionais podem até gerar alívio momentâneo, mas nem sempre produzem mudanças profundas. A autoeficácia cresce menos com discursos vazios e mais com experiências concretas. Ela amadurece quando a pessoa consegue perceber, de forma realista, que pode agir diferente e construir respostas novas diante da vida.
Na psicoterapia, esse fortalecimento costuma acontecer de maneira gradual e consistente. Muitas pessoas chegam ao consultório marcadas por frustrações, críticas, comparações ou histórias repetidas de inadequação. Aos poucos, o processo terapêutico pode ajudar a revisar essas narrativas internas, reconhecer recursos já existentes e construir metas mais compatíveis com a realidade do momento.
Desenvolver autoeficácia não é se tornar invencível. É construir uma confiança mais realista, madura e saudável em si mesmo.
Dica de filme: uma história para refletir sobre autoeficácia
Uma boa indicação para pensar sobre esse tema é o filme À Procura da Felicidade. A obra mostra a trajetória de um homem que enfrenta dificuldades intensas, insegurança, pressão, perdas e incertezas, mas continua tentando.

Mais do que contar uma história de sucesso, o filme retrata perseverança, resistência emocional e a força que nasce quando alguém, apesar de tudo, continua acreditando que pode seguir em frente. Ele é um bom exemplo de como a autoeficácia não tem relação com uma vida sem sofrimento, mas com a capacidade de manter o movimento mesmo em cenários difíceis.
Para quem deseja refletir sobre confiança em si mesmo, persistência e reconstrução emocional, é uma excelente escolha.
Considerações finais
Falar em autoeficácia é falar da forma como você se posiciona diante do mundo. Não é sobre perfeição, nem sobre nunca falhar. Trata-se, sobretudo, de desenvolver uma base interna mais firme, capaz de sustentar tentativas, aprendizados, ajustes e persistência.
Quando a autoimagem está ferida, a autoestima abalada e a autoeficácia enfraquecida, a vida pode parecer pesada demais. Mas quando essas dimensões começam a se reorganizar, algo importante acontece: a pessoa passa a sentir que existe caminho. E, muitas vezes, esse já é o começo da mudança.
Quando buscar ajuda psicológica
Se você percebe que sua autoestima oscila com frequência, que sua autoimagem foi marcada por críticas ou comparações, ou que falta confiança para lidar com desafios do dia a dia, a psicoterapia pode ser um espaço importante para compreender e fortalecer esses aspectos.
Desenvolver a autoeficácia não significa se tornar invencível, mas aprender a confiar mais em si mesmo de forma realista e saudável.
Se esse tema faz sentido para você, buscar ajuda pode ser um passo importante para fortalecer sua relação consigo mesmo e com a própria vida.
Sobre o autor
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Citação deste artigo
ARAUJO, Leonardo Fd. Autoeficácia: o que é, como influencia a autoestima e por que ela é importante. In: LEONARDO Fd Araujo | Psicologia. 09/04/2026. Disponível em: https://psicologoemcuritiba.com.br/?p=1932&preview=true. Acesso em: [inserir data].
Fontes:
BANDURA, Albert. Self-Efficacy: Toward a Unifying Theory of Behavioral Change. Psychological Review, 1977.
PIGNAULT, A. et al. The Relationship between Self-Esteem, Self-Efficacy, and Psychological Well-Being. 2023.
Naltrexona e ludopatia: o que os estudos mostram sobre o tratamento para o transtorno do jogo
- Artigo publicado em: 8 março, 2026
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A naltrexona tem sido estudada como possível recurso auxiliar no tratamento da ludopatia, especialmente em casos com forte impulso para apostar.
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O uso para transtorno do jogo ainda é considerado off-label (fora da bula) e deve ser sempre avaliado por médico, preferencialmente psiquiatra.
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Estudos clínicos indicam resultados promissores em alguns pacientes, mas ainda não permitem tratar a medicação como solução isolada.
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O tratamento da ludopatia envolve psicoterapia, orientação familiar, prevenção de recaídas, limites financeiros e, em alguns casos, suporte medicamentoso.
Naltrexona e ludopatia: o que os estudos mostram sobre o tratamento para o transtorno do jogo
Tempo estimado de leitura: 8 minutos
Quando se fala em tratamento da ludopatia, uma das perguntas mais frequentes é direta: existe algum medicamento que ajude a parar de jogar?
A resposta exige cuidado. Não existe uma “cura rápida” em forma de medicação. O transtorno do jogo é um fenômeno complexo, que envolve comportamento, emoção, impulsividade, contexto de vida, prejuízos financeiros e dinâmica familiar. No entanto, nos últimos anos, alguns estudos vêm investigando o uso de medicamentos como a naltrexona como possível recurso auxiliar no tratamento.
Este artigo tem como objetivo esclarecer, de forma responsável e acessível, o que se sabe até o momento sobre essa abordagem, seus limites e seu lugar dentro de um tratamento mais amplo.
O que é a naltrexona?
A naltrexona é uma medicação conhecida principalmente pelo seu uso no tratamento de dependência de álcool e opioides. De forma simplificada, ela atua em sistemas do cérebro relacionados à recompensa, ao prazer, motivação e ao reforço comportamental.
Esse mecanismo despertou o interesse de pesquisadores: se o transtorno do jogo compartilha características com outros comportamentos aditivos como impulsividade, busca por recompensa, fissura e dificuldade de controle, será que a naltrexona poderia ajudar também nesses casos?
A partir dessa hipótese, começaram a surgir estudos investigando seu uso no tratamento do jogo patológico, hoje mais frequentemente chamado de transtorno do jogo ou ludopatia.
O que os estudos indicam até agora?
Os estudos sobre naltrexona no transtorno do jogo ainda não permitem afirmar que ela seja uma solução definitiva, mas apontam resultados relevantes em alguns grupos de pacientes. A principal hipótese é que, por atuar em sistemas cerebrais ligados à recompensa, ao prazer e ao impulso, a naltrexona possa ajudar a reduzir a fissura ou urgência de jogar.
Um dos estudos clássicos foi publicado por Kim, Grant, Adson e Shin, em 2001, em um ensaio duplo-cego comparando naltrexona e placebo no tratamento do jogo patológico. Os autores observaram redução dos sintomas no grupo tratado com naltrexona, embora tenham destacado a necessidade de cautela e de novos estudos para confirmação dos achados.
Em 2008, Grant, Kim e Hartman publicaram outro estudo duplo-cego, placebo-controlado, avaliando a naltrexona em adultos com jogo patológico e forte urgência para apostar. O estudo também encontrou resultados favoráveis, especialmente na redução dos impulsos relacionados ao jogo.
Por outro lado, nem todos os estudos encontraram benefícios tão consistentes. Toneatto, Brands e Selby, em 2009, avaliaram a naltrexona em pessoas com jogo patológico associado ao abuso ou dependência de álcool, e os resultados não demonstraram superioridade clara da medicação em relação ao placebo nesse contexto específico.
Outro estudo, publicado por Kovanen e colaboradores em 2016, avaliou o uso de naltrexona “conforme a necessidade” em pessoas com jogo patológico que também recebiam suporte psicossocial. Os autores concluíram que essa forma de uso não trouxe benefício adicional substancial para o grupo como um todo, embora tenham apontado possibilidades de resposta em subgrupos específicos.
Mais recentemente, uma revisão sistemática com meta-análise em rede publicada por Ioannidis e colaboradores, em 2025, indicou que naltrexona e nalmefeno estão entre as opções farmacológicas com evidência mais favorável para o transtorno do jogo, embora os autores também tenham destacado limitações importantes, como tolerabilidade, tamanho dos estudos e necessidade de pesquisas mais robustas.
A naltrexona pode ser promissora como recurso adjuvante, mas não deve ser apresentada como “remédio para parar de jogar” ou como substituta da psicoterapia.
O que dizem as diretrizes clínicas?
As diretrizes do National Institute for Health and Care Excellence (NICE – Reino Unido), publicadas em 2025, recomendam considerar a naltrexona para reduzir a gravidade do jogo quando a psicoterapia não alcançou os resultados esperados após um curso adequado de tratamento, ou quando a pessoa apresenta recaídas repetidas apesar de ter recebido intervenção psicológica apropriada. Ou seja, um caso refratário ao tratamento psicoterápico ou mesmo mais resistente.
A própria diretriz destaca que, em janeiro de 2025, esse era um uso off-label da naltrexona. Isso significa que a medicação não deve ser usada de forma banalizada ou sem avaliação médica. O início do tratamento deve ocorrer sob responsabilidade de profissional médico qualificado e experiente, preferencialmente em articulação com uma abordagem psicológica e familiar.
O que significa uso off-label?
Uso off-label significa que uma medicação está sendo utilizada para uma finalidade diferente daquela para a qual foi originalmente aprovada pelas autoridades regulatórias, que o uso não está descrito na bula. Isso não quer dizer, necessariamente, que o uso seja inadequado. Significa que ele exige critério clínico, avaliação individualizada, acompanhamento médico e consentimento informado.
No caso da ludopatia, a decisão de utilizar naltrexona deve ser tomada por um médico, geralmente psiquiatra, considerando:
- histórico clínico do paciente;
- intensidade do comportamento de jogo;
- presença de outras condições de saúde mental;
- uso de álcool, opioides ou outras substâncias;
- uso de outras medicações;
- condições hepáticas e demais aspectos de saúde geral;
- risco de recaídas e gravidade dos prejuízos causados pelo jogo.
Esse cuidado é fundamental porque a medicação pode ter contraindicações, interações e efeitos adversos. Além disso, cada paciente apresenta uma história diferente. O que pode fazer sentido em um caso pode não ser indicado em outro.
A naltrexona não substitui a psicoterapia
Mesmo quando indicada, a naltrexona deve ser compreendida como recurso auxiliar. Ela pode ajudar alguns pacientes a reduzirem a fissura e a urgência de jogar, mas não reorganiza, sozinha, a vida emocional, financeira e familiar da pessoa. Essa mesma dinâmica de recurso auxiliar é vista em outros transtornos, como por exemplo a depressão e a ansiedade, sendo indicado o tratamento multidisciplinar, envolvendo o trabalho do psicólogo e do médico psiquiatra.
A medicação não substitui o trabalho de compreender gatilhos, reconstruir rotina, lidar com vergonha, assumir responsabilidades, reparar danos possíveis e desenvolver estratégias de prevenção de recaídas.
Por isso, no tratamento da ludopatia, a psicoterapia continua sendo uma das bases mais importantes. É no processo terapêutico que a pessoa pode compreender por que joga, em quais momentos perde o controle e como construir uma nova relação com impulso, frustração, dinheiro e recompensa. E ainda oferecer informações e orientações de qualidade aos familiares, tendo o profissional de psicologia como um aliado nesse processo.
A medicação pode reduzir o impulso, mas a recuperação exige mudança de comportamento, reorganização da vida e reconstrução de vínculos.
A importância da psicoterapia
Por isso, no tratamento da ludopatia, a psicoterapia continua sendo uma das bases mais importantes. É no processo terapêutico que a pessoa pode compreender por que joga, em quais momentos perde o controle e como construir uma nova relação com impulso, frustração, dinheiro e recompensa.
Estudos apontam que intervenções psicológicas estruturadas, especialmente abordagens cognitivas e comportamentais, apresentam resultados consistentes na redução do comportamento de jogo e na prevenção de recaídas. Uma revisão sistemática conduzida por Cowlishaw e colaboradores (2012), publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews, encontrou evidências de que a psicoterapia pode reduzir significativamente a frequência e a intensidade das apostas em pessoas com transtorno do jogo.
Além disso, o acompanhamento psicológico permite trabalhar aspectos que a medicação não alcança: padrões de pensamento distorcidos, impulsividade, regulação emocional, vergonha, culpa e reconstrução de sentido fora do jogo.
Outro ponto fundamental é o trabalho com a família. A psicoterapia também pode oferecer orientação aos familiares, ajudando-os a compreender o transtorno, estabelecer limites saudáveis e construir uma rede de apoio mais consciente. Nesse contexto, o profissional de psicologia se torna um aliado importante não apenas do paciente, mas de todo o sistema familiar envolvido.
A medicação pode ajudar a reduzir o impulso, mas é na psicoterapia que a pessoa aprende a sustentar a mudança.
O papel da psicoterapia no tratamento da ludopatia
A psicoterapia ajuda o paciente a reconhecer o ciclo do jogo. Muitas vezes, esse ciclo envolve ansiedade, tensão, aposta, perda, culpa, tentativa de recuperar, nova perda, segredo e promessa de parar. Sem compreender esse funcionamento, a pessoa pode repetir o mesmo padrão diversas vezes.
O trabalho terapêutico pode envolver:
- identificação de gatilhos emocionais;
- manejo da impulsividade;
- prevenção de recaídas;
- reconstrução da rotina;
- trabalho com vergonha, culpa e negação;
- reorganização da relação com dinheiro;
- fortalecimento da rede de apoio;
- desenvolvimento de estratégias para lidar com fissura e urgência de apostar.
Em alguns casos, a psicoterapia também ajuda o paciente a lidar com questões associadas, como ansiedade, depressão, baixa autoestima, solidão, conflitos conjugais, estresse no trabalho ou uso de álcool e outras substâncias.
Família, limites e corresponsabilidade
A família pode ter papel fundamental no tratamento da ludopatia, especialmente quando recebe orientação adequada. Muitas vezes, os familiares estão confusos, com raiva, medo ou culpa, sem saber se devem acolher, confrontar, pagar dívidas ou impor limites.
A orientação familiar pode ajudar a construir uma linha de apoio mais consciente. A família não deve ser transformada em polícia, mas também não pode sustentar o ciclo do jogo com empréstimos repetidos, pagamento de dívidas sem plano ou promessas vazias de mudança.
Algumas medidas podem ser discutidas em conjunto:
- estabelecimento de limites financeiros claros;
- proteção do orçamento familiar;
- restrição temporária de acesso a crédito, cartões ou grandes valores, quando necessário;
- acompanhamento de sinais de recaída;
- apoio emocional sem humilhação;
- participação em sessões de orientação familiar;
- encaminhamento para avaliação psiquiátrica quando indicado;
- construção de um plano de prevenção de recaídas.
Quando paciente, família, psicólogo e médico atuam de forma integrada, o tratamento tende a ganhar mais consistência. A recuperação não depende apenas de força de vontade; ela precisa de estrutura.
Quando considerar avaliação psiquiátrica?
A avaliação psiquiátrica pode ser importante quando o comportamento de jogo está associado a impulsividade intensa, recaídas frequentes, depressão, ansiedade significativa, uso de álcool ou outras substâncias, ideação suicida ou dificuldade persistente de controle mesmo com acompanhamento psicológico. Esses pontos reforçam, ainda mais, a importância da participação dos familiares. Observando e dando feedbacks ao psicólogo sobre como anda o dia a dia em casa.
Nesses casos, o psiquiatra poderá avaliar se há indicação de medicação, incluindo ou não a naltrexona, além de considerar outros diagnósticos e condições associadas. O objetivo não é apenas “dar remédio”, mas compreender o quadro de forma ampla e segura.
É importante reforçar: psicólogos não prescrevem medicamentos. O papel do psicólogo é avaliar, acompanhar, orientar, trabalhar aspectos emocionais e comportamentais, e, quando necessário, encaminhar para avaliação médica.
Cuidados importantes sobre medicação
Todo tratamento medicamentoso precisa ser individualizado. A naltrexona não deve ser iniciada por conta própria, compartilhada entre familiares ou utilizada com base em vídeos, fóruns ou relatos de internet.
Também é importante que o paciente informe ao médico sobre uso de álcool, opioides, analgésicos, outras medicações, histórico de doenças hepáticas e qualquer condição clínica relevante. O acompanhamento profissional permite avaliar benefícios, riscos, efeitos adversos e necessidade de ajustes.
No campo da ludopatia, a medicação pode ser uma ferramenta. Mas a ferramenta precisa estar dentro de um plano. Sem mudança de comportamento, reorganização financeira, apoio familiar e prevenção de recaídas, o risco de retorno ao padrão anterior permanece elevado.
Considerações finais
O avanço dos estudos sobre o uso da naltrexona na ludopatia abre possibilidades importantes, mas também exige cautela. Como vimos, a medicação pode ajudar alguns pacientes, especialmente na redução da fissura e da urgência de apostar, mas não deve ser tratada como solução isolada. Aqui reforço o papel do tratamento multidisciplinar, unindo do trabalho do psicólogo e do médico psiquiatra.
Na prática clínica, no dia a dia do consultório, é possível observar alguns sinais que merecem atenção. Em pacientes que estão em acompanhamento psiquiátrico e utilizando a naltrexona como parte do tratamento, mesmo considerando uma amostra pequena e sem o rigor de estudos controlados, percebe-se empiricamente uma tendência a um desenrolar mais estável do quadro.
Em alguns casos, nota-se maior aderência ao tratamento, participação mais consistente dos familiares e uma sensação de maior segurança no dia a dia, especialmente em relação ao controle dos impulsos. Essa percepção clínica não substitui evidência científica, mas dialoga com os resultados encontrados em estudos que apontam a medicação como um possível recurso adjuvante no manejo do transtorno do jogo.
Ainda assim, é fundamental reforçar mais uma vez: o tratamento da ludopatia é multifatorial. Ele envolve psicoterapia, responsabilidade, limites, reorganização financeira, prevenção de recaídas, participação em grupos de apoio (jogadores anônimos), orientação familiar e, quando indicado, acompanhamento psiquiátrico e medicamentoso.
A medicação pode facilitar o caminho, mas é o conjunto do tratamento que sustenta a mudança.
Se o jogo passou a ocupar espaço excessivo na sua vida ou na sua família, buscar ajuda pode ser o primeiro passo para retomar o controle. O caminho não é imediato, mas é possível quando existe acompanhamento adequado, rede de apoio e um plano realista de recuperação.
Leia também: O Vício em Apostas Online: Como Buscar Ajuda?
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GRANT, Jon E.; KIM, Suck Won; HARTMAN, Boyd K. A double-blind, placebo-controlled study of the opiate antagonist naltrexone in the treatment of pathological gambling urges. The Journal of Clinical Psychiatry, v. 69, n. 5, p. 783-789, 2008. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18384246/
COWLISHAW, Sean et al. Psychological therapies for pathological and problem gambling. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2012. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23076947/
KIM, Suck Won; GRANT, Jon E.; ADSON, Daniel E.; SHIN, Young Chul. Double-blind naltrexone and placebo comparison study in the treatment of pathological gambling. Biological Psychiatry, v. 49, n. 11, p. 914-921, 2001. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11377409/
TONEATTO, Tony; BRANDS, Bruna; SELBY, Peter. A randomized, double-blind, placebo-controlled trial of naltrexone in the treatment of concurrent alcohol use disorder and pathological gambling. The American Journal on Addictions, v. 18, n. 3, p. 219-225, 2009. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19340640/
KOVANEN, Leena et al. A randomised, double-blind, placebo-controlled trial of as-needed naltrexone in the treatment of pathological gambling. European Addiction Research, v. 22, n. 2, p. 70-79, 2016. Disponível em: https://karger.com/ear/article/22/2/70/119448/A-Randomised-Double-Blind-Placebo-Controlled-Trial
IOANNIDIS, Konstantinos et al. Pharmacological management of gambling disorder: a systematic review and network meta-analysis. Comprehensive Psychiatry, 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39675219/
NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Gambling-related harms: identification, assessment and management. NICE guideline NG248. Londres: NICE, 2025. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng248
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. What is gambling disorder? Washington, DC: APA, s.d. Disponível em: https://www.psychiatry.org/patients-families/gambling-disorder/what-is-gambling-disorder
Jogadores Anônimos – você não precisa enfrentar isso sozinho
- Artigo publicado em: 9 fevereiro, 2026
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Os grupos de apoio, como Jogadores Anônimos, são uma ferramenta importante no tratamento da ludopatia, oferecendo acolhimento e identificação entre os participantes.
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Hoje, além dos encontros presenciais espalhados pelo Brasil, existem grupos online com reuniões em diversos horários, facilitando o acesso.
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Esses espaços também contam com reuniões para familiares, ajudando a construir uma rede de apoio mais consciente e estruturada.
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A participação em grupos não substitui a psicoterapia, mas pode enriquecer o tratamento e fortalecer o compromisso com a recuperação.
Grupos de apoio e ludopatia: por que você não precisa enfrentar isso sozinho
Tempo estimado de leitura: 7 minutos
Uma das características mais marcantes do transtorno do jogo é o isolamento. A pessoa joga escondido, perde em silêncio, tenta recuperar sem contar a ninguém e, muitas vezes, carrega uma sensação intensa de vergonha.
Esse isolamento pode fazer com que o problema pareça ainda maior — como se fosse algo único, pessoal e difícil de ser compreendido por outras pessoas. É nesse ponto que os grupos de apoio se tornam um recurso extremamente valioso.
Participar de um grupo como o Jogadores Anônimos pode ser um primeiro passo importante para quebrar esse isolamento e perceber algo fundamental: você não está sozinho.
O que são os grupos de apoio?
Os grupos de apoio são espaços onde pessoas que enfrentam o mesmo tipo de dificuldade se reúnem para compartilhar experiências, desafios e estratégias de enfrentamento. No caso da ludopatia, os grupos de Jogadores Anônimos seguem um modelo inspirado nos 12 passos, com foco em acolhimento, responsabilidade e recuperação.
Não se trata de julgamento, nem de exposição forçada. Cada participante fala se quiser, no seu tempo. O mais importante é o ambiente: um espaço seguro, onde as pessoas se reconhecem umas nas outras.
O grupo oferece algo que muitas vezes falta fora dele: escuta sem julgamento e identificação real.
Presencial ou online: hoje o acesso é muito maior
Uma das grandes vantagens atuais é que o acesso aos grupos ficou muito mais fácil. Existem reuniões presenciais espalhadas por diversas cidades do Brasil. Uma busca simples no Google por “Jogadores Anônimos + sua cidade” já pode indicar opções próximas.
Além disso, os grupos online têm crescido de forma significativa. Hoje é possível encontrar reuniões em diferentes horários ao longo do dia,m inclusive à noite e aos finais de semana.
Isso facilita muito o acesso, especialmente para quem:
- tem dificuldade de deslocamento;
- prefere mais anonimato no início;
- possui rotina de trabalho variável;
- está começando a reconhecer o problema.
Outro ponto importante é que muitos desses espaços também oferecem grupos para familiares, o que pode ser extremamente útil. Famílias que participam desses encontros tendem a compreender melhor o transtorno e a construir formas mais saudáveis de apoio.
O que a ciência diz sobre grupos de apoio?
Embora os grupos de apoio não sejam, por si só, uma intervenção clínica estruturada como a psicoterapia, estudos indicam que eles podem desempenhar um papel importante no tratamento do transtorno do jogo.
Pesquisas como a de Petry (2005) mostram que a participação em programas como Jogadores Anônimos pode contribuir para a redução do comportamento de jogo, especialmente quando combinada com tratamento psicológico.
Outros estudos apontam que fatores como suporte social, identificação com o grupo e compromisso com a abstinência podem aumentar a adesão ao tratamento e reduzir recaídas.
Em termos simples: o grupo não substitui a psicoterapia, mas pode potencializar seus efeitos.
Por que o grupo funciona?
Existem alguns elementos que fazem dos grupos de apoio uma ferramenta tão potente:
- Identificação: ouvir histórias semelhantes reduz o sentimento de isolamento;
- Compromisso: a presença regular cria uma rotina de cuidado;
- Responsabilidade: o grupo ajuda a manter o foco na recuperação;
- Rede de apoio: possibilidade de contato com outras pessoas em momentos difíceis;
- Estrutura: encontros organizados, com regras e propósito claro;
- Acolhimento: sem julgamento, sem exposição obrigatória.
Um ponto muito importante é a figura do padrinho ou madrinha dentro do grupo. Trata-se de alguém com mais tempo de recuperação, que pode oferecer suporte mais próximo, especialmente em momentos de maior vulnerabilidade.
O grupo não substitui o tratamento
É importante deixar claro: os grupos de apoio não substituem a psicoterapia. Eles são um complemento. Enquanto o grupo oferece identificação e suporte, a psicoterapia trabalha aspectos mais profundos, como impulsividade, emoções, história de vida, padrões de comportamento e prevenção de recaídas.
Quando esses dois caminhos caminham juntos — grupo e psicoterapia — o tratamento tende a ganhar mais consistência.
O grupo acolhe. A psicoterapia aprofunda. E juntos, ajudam a sustentar a mudança.
Um convite importante
Se você está enfrentando dificuldades com apostas, ou se alguém próximo está passando por isso, considere conhecer um grupo de apoio. Não é necessário “estar no fundo do poço” para participar. Muitas vezes, quanto mais cedo esse contato acontece, maiores são as chances de reorganização.
Uma simples busca no Google pode ser o primeiro passo. E, se for mais confortável, os grupos online estão disponíveis em diferentes horários, inclusive aos finais de semana.
Você não precisa passar por isso sozinho.
Considerações finais
Na prática clínica, a participação em grupos de apoio costuma trazer ganhos importantes para o tratamento. É possível perceber, em muitos pacientes, uma maior adesão ao processo, um senso mais claro de compromisso e uma diminuição da sensação de isolamento.
Algo que aparece com frequência é a frase: “não é só comigo”. Esse reconhecimento, por si só, já tem um efeito significativo. A pessoa deixa de se enxergar como alguém “fora do normal” ou “sem caráter” e passa a compreender o transtorno como algo que pode ser tratado.
Outro ponto relevante é o contato com experiências reais trazidas nas reuniões. Esses relatos muitas vezes chegam à psicoterapia e enriquecem o processo, tornando o trabalho mais concreto e conectado com o dia a dia do paciente.
A presença de um padrinho ou madrinha, a possibilidade de conversar em momentos críticos e a participação da família em grupos específicos também fortalecem a rede de apoio.
Quando o grupo, a psicoterapia e, quando necessário, o acompanhamento médico caminham juntos, o tratamento tende a ganhar mais consistência e segurança.
Buscar ajuda não é sinal de fraqueza. É um passo importante em direção à recuperação.
Leia também: O Vício em Apostas Online: Como Buscar Ajuda?
💬 Uma mensagem importante:
Se você está lendo este artigo e se reconheceu em alguns pontos, considere participar de uma reunião de grupo de apoio ainda esta semana. Não é necessário esperar o “momento certo”. O primeiro passo pode ser apenas entrar e ouvir.
Links úteis e rede de apoio
- Jogadores Anônimos Brasil
https://jogadoresanonimos.com.br/ - Jogadores Anônimos — Reuniões presenciais
https://jogadoresanonimos.com.br/g-reunioes-presenciais/ - Jogadores Anônimos Online
https://www.grupojaonline.com.br/ - Gambling Therapy — Brazil
https://gamblingtherapy.org/?location=brazil
Sobre o autor
Leonardo Fd Araujo – Doctoralia.com.br
Leonardo Fd Araujo
Psicólogo em Curitiba CRP 08/10907
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Fontes
PETRY, Nancy M. Pathological Gambling: Etiology, Comorbidity and Treatment. American Psychological Association, 2005.
COWLISHAW, Sean et al. Psychological therapies for pathological and problem gambling. Cochrane Database, 2012.
A vergonha de quem joga: o segredo por trás da ludopatia
- Artigo publicado em: 17 dezembro, 2025
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A vergonha é uma das emoções mais presentes na ludopatia e pode manter o problema escondido por meses ou anos.
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Muitas pessoas que jogam escondido não sofrem apenas pelas perdas financeiras, mas também pelo medo de decepcionar a família.
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O segredo pode parecer uma tentativa de proteger a família, mas geralmente aumenta dívidas, mentiras e sofrimento emocional.
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Falar sobre o problema, buscar psicoterapia e envolver a família com orientação adequada pode ser um passo decisivo no tratamento.
A vergonha de quem joga: o segredo por trás da ludopatia
Tempo estimado de leitura: 8 minutos
Quem olha de fora costuma enxergar apenas a dívida, a mentira, o cartão estourado, o empréstimo escondido ou a promessa quebrada. E tudo isso realmente importa. A família sofre, a confiança é abalada e as consequências financeiras podem ser graves.
Mas, por trás de muitos casos de ludopatia, existe uma emoção silenciosa que ajuda a manter o problema escondido: a vergonha.
A pessoa que joga pode sentir vergonha de ter perdido dinheiro, vergonha de ter mentido, vergonha de ter decepcionado quem ama, vergonha de não conseguir parar e vergonha de precisar de ajuda. Em muitos casos, essa vergonha é tão intensa que a pessoa passa a esconder ainda mais. E, quanto mais esconde, maior o problema fica.
É assim que o transtorno do jogo pode se instalar no silêncio: uma aposta escondida, uma perda não contada, uma tentativa de recuperar, uma nova dívida, uma nova mentira e uma promessa íntima de que “agora eu vou resolver sozinho”.
A vergonha faz a pessoa acreditar que precisa esconder o problema. O tratamento começa quando ela encontra um espaço seguro para falar sobre ele.
Vergonha não é a mesma coisa que culpa
Culpa e vergonha são emoções parecidas, mas não são a mesma coisa. A culpa costuma estar ligada a algo que a pessoa fez: “eu errei”, “eu menti”, “eu perdi dinheiro”, “eu prejudiquei minha família”. Já a vergonha costuma atingir a identidade: “eu sou um fracasso”, “eu não presto”, “eu sou fraco”, “ninguém vai me respeitar se souber”.
Na ludopatia, essa diferença é muito importante. A culpa pode ajudar alguém a reconhecer danos e buscar reparação. A vergonha, quando se torna excessiva, pode paralisar. Em vez de aproximar a pessoa da ajuda, ela a empurra para o segredo.
A pessoa pode pensar: “Se eu contar, vou destruir minha família”; “Se descobrirem, vão me abandonar”; “Se eu ganhar de volta, não preciso contar”; “Se eu resolver sozinho, ninguém vai saber”. O problema é que essa tentativa de resolver sozinho frequentemente leva a novas apostas.
O segredo como tentativa de controle
Muitas pessoas não começam escondendo tudo. No início, pode ser apenas uma pequena omissão: um valor menor do que o real, uma aposta não comentada, uma perda tratada como algo sem importância. Aos poucos, o segredo cresce.
Quando a dívida aumenta, a pessoa pode tentar recuperar o prejuízo antes que alguém descubra. Esse é um ponto muito delicado. O jogo passa a ser visto como o próprio caminho para apagar o estrago causado pelo jogo.
Esse ciclo pode seguir uma lógica parecida:
- aposta escondida;
- perda financeira;
- vergonha e medo de contar;
- nova aposta para tentar recuperar;
- nova perda;
- mentira ou omissão;
- aumento da dívida;
- mais vergonha e mais segredo.
O segredo parece proteger, mas geralmente aprisiona. Ele impede que a família perceba o problema cedo, dificulta o acesso a tratamento e aumenta o risco de decisões impulsivas.
Por que é tão difícil contar para a família?
Contar para a família significa enfrentar uma realidade que a pessoa tentou evitar por muito tempo. Significa assumir perdas, revelar mentiras, admitir fragilidade e encarar o impacto nos vínculos.
Para muitos pacientes, o medo não é apenas financeiro. É afetivo. A pessoa teme perder respeito, amor, casamento, confiança, autoridade diante dos filhos ou lugar dentro da família.
Diretrizes clínicas sobre danos relacionados ao jogo reconhecem que o estigma, a vergonha e o medo de revelar o problema podem impedir a pessoa de falar sobre o jogo e buscar tratamento. Isso ajuda a entender por que tantos casos só chegam à família quando a dívida já ficou grande ou quando alguma cobrança externa aparece.
Muitas vezes, a família descobre tarde não porque o problema era pequeno, mas porque a vergonha o manteve escondido.
Vergonha pode atrasar o tratamento
A vergonha não aparece apenas antes da descoberta. Ela também pode atrapalhar depois. Mesmo quando a família já sabe, a pessoa pode evitar falar sobre detalhes importantes: valores reais, plataformas usadas, empréstimos, recaídas, pensamentos de desespero ou tentativas anteriores de parar.
Isso pode prejudicar o tratamento, porque o psicólogo, o médico e a família precisam de uma noção mais clara da gravidade do quadro. Sem informações reais, cria-se um tratamento em cima de uma versão parcial do problema.
Por isso, uma parte importante do processo terapêutico é construir um ambiente em que a verdade possa aparecer sem que isso se transforme em destruição. A verdade pode doer, mas ela também organiza. O segredo, ao contrário, costuma prolongar o sofrimento.
Jogo patológico não é falta de caráter
Um dos maiores obstáculos para pedir ajuda é o medo de ser visto como alguém sem caráter. A pessoa sabe que mentiu, sabe que causou prejuízo e sabe que feriu a confiança da família. Mas reduzir tudo a uma falha moral pode impedir a compreensão clínica do problema.
O transtorno do jogo envolve um padrão persistente de apostas apesar de prejuízos importantes. A pessoa pode continuar jogando mesmo quando percebe danos financeiros, familiares, profissionais e emocionais. Isso não retira sua responsabilidade, mas mostra que o problema precisa ser tratado com mais profundidade.
A frase central aqui é: não é falta de caráter, mas também não é ausência de responsabilidade. A pessoa precisa se responsabilizar pelas consequências, mas também precisa de tratamento, suporte e limites reais.
Quando tudo vira julgamento moral, a pessoa se esconde. Quando tudo vira desculpa, o problema continua. O tratamento precisa encontrar outro caminho.
Como começar a falar sobre o problema?
Não existe uma forma perfeita de contar para a família. Mas existe uma forma mais responsável: com verdade, disposição para assumir consequências e abertura para ajuda.
Alguns pontos podem orientar essa conversa:
- escolha um momento de privacidade e sem pressa;
- não conte apenas uma parte pequena se o problema é maior;
- evite promessas vagas como “nunca mais vou fazer isso”;
- apresente fatos: dívidas, tempo de jogo, tentativas de parar e riscos atuais;
- reconheça o impacto causado na família;
- diga que precisa de ajuda profissional;
- aceite limites financeiros e combinados de proteção;
- procure psicoterapia e, se necessário, avaliação médica.
A conversa pode ser difícil, mas ela pode interromper um ciclo muito mais perigoso. Quando o problema sai do segredo, ele pode finalmente entrar no campo do cuidado.
E como a família pode reagir?
Para a família, ouvir essa revelação pode ser devastador. É natural sentir raiva, medo e decepção. Ninguém precisa fingir tranquilidade diante de uma situação grave. Mas a forma como a família reage pode influenciar bastante os próximos passos.
Algumas atitudes ajudam mais:
- escutar antes de tomar decisões definitivas;
- pedir informações concretas sobre dívidas e riscos;
- evitar humilhação pública;
- não envolver crianças na discussão;
- não pagar dívidas sem plano de tratamento;
- buscar orientação psicológica familiar;
- estabelecer limites financeiros claros;
- observar sinais de depressão, desespero ou risco de autoagressão.
A família não precisa escolher entre destruir a pessoa ou proteger o problema. Existe um caminho mais saudável: acolher sem acobertar, limitar sem humilhar e buscar ajuda sem esperar que tudo se resolva apenas com promessa.
O papel do psicólogo diante da vergonha
A psicoterapia oferece um espaço onde a vergonha pode ser trabalhada com cuidado. Muitas vezes, antes de reorganizar dívidas ou construir estratégias de prevenção de recaída, a pessoa precisa conseguir falar. Falar sobre o que fez, o que perdeu, o que escondeu e o que teme perder.
O psicólogo pode ajudar o paciente a compreender o ciclo do jogo, identificar gatilhos emocionais, lidar com impulsividade e construir formas mais honestas de relação com a família. Também pode ajudar a diferenciar responsabilidade de autodestruição.
Assumir responsabilidade não é se esmagar pela culpa. É reconhecer o dano, aceitar ajuda, construir limites e participar ativamente do tratamento.
Além disso, a orientação familiar pode ser decisiva. O psicólogo pode auxiliar os familiares a compreenderem o transtorno, organizarem limites, evitarem o ciclo de apenas remendar dívidas e criarem uma linha de apoio mais firme e consciente.
Quando a vergonha vira risco
Em alguns casos, a vergonha pode vir acompanhada de desespero intenso. A pessoa pode sentir que perdeu tudo, que não há saída, que decepcionou todos ao redor ou que a vida não tem mais solução.
Qualquer fala sobre morte, suicídio, desaparecimento, vontade de dormir e não acordar, ou sensação de que “seria melhor não estar aqui” deve ser levada a sério. Nesses momentos, a prioridade é proteção imediata.
Procure ajuda emergencial, acione familiares próximos, busque uma UPA, pronto atendimento, hospital, SAMU pelo 192 ou CVV pelo 188. A psicoterapia é fundamental, mas situações de risco exigem cuidado imediato e rede de proteção.
O segredo termina quando existe rede
A recuperação da ludopatia raramente acontece apenas pela força de vontade individual. É comum que o tratamento envolva psicoterapia, orientação familiar, grupos de apoio, reorganização financeira, bloqueios de acesso, avaliação médica quando necessário e prevenção de recaídas.
Grupos como Jogadores Anônimos também podem ajudar muitas pessoas a quebrar o isolamento. Ouvir outras histórias permite que o paciente perceba algo importante: “não é só comigo”. Essa identificação pode diminuir a vergonha e aumentar o compromisso com o tratamento.
Para os familiares, grupos de apoio e orientação profissional também podem trazer alívio. A família começa a compreender que não está sozinha, que o problema é tratável e que ajudar não significa pagar tudo, encobrir tudo ou aceitar tudo.
Considerações finais
A vergonha é uma das faces mais dolorosas da ludopatia. Ela faz a pessoa se esconder, mentir, adiar conversas importantes e tentar resolver sozinha um problema que costuma crescer justamente no segredo.
Mas a vergonha não precisa ser o ponto final da história. Quando existe espaço para falar, quando a família recebe orientação e quando o paciente aceita tratamento, o segredo começa a perder força.
Na prática clínica, é comum perceber que o tratamento ganha mais consistência quando o paciente consegue transformar vergonha em responsabilidade. Isso não acontece de uma hora para outra. Mas, quando acontece, algo importante muda: a pessoa deixa de lutar sozinha contra o problema e passa a construir um caminho de cuidado, limite e reconstrução.
A ludopatia não deve ser reduzida a “frescura” ou falta de caráter. É um transtorno que pode gerar sofrimento intenso, mas que também pode ser tratado. E o primeiro passo, muitas vezes, é encontrar coragem para dizer: “eu preciso de ajuda”.
Leia também: O Vício em Apostas Online: Como Buscar Ajuda?
Sobre o autor
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AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. What is gambling disorder? Washington, DC: APA, s.d. Disponível em: https://www.psychiatry.org/patients-families/gambling-disorder/what-is-gambling-disorder. Acesso em: 26 abr. 2026.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Gambling Disorder. Washington, DC: APA, s.d. Disponível em: https://www.psychiatry.org/patients-families/gambling-disorder.
BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de cuidado para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas. Brasília: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2026/guia-de-cuidado-para-pessoas-com-problemas-relacionados-a-jogos-de-apostas.pdf.
NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Gambling-related harms: identification, assessment and management. NICE guideline NG248. Londres: NICE, 2025. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng248/chapter/recommendations.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Gambling. Geneva: WHO, 2024. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/gambling.











